
Padre Wagner Augusto Portugal
29º Domingo do Tempo Comum. B.
“Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos, suas maravilhas! Porque o Senhor é grande e digno de todo louvor!”. (Cf. Sl 95, 3s).
Meus queridos irmãos,
Estamos adentrando para mais da metade do mês de outubro, mês dedicado para a primavera, tempo em que a Divina Providência enche nossos olhos de encantamento e de beleza das grandiosidades do mistério da salvação. É Deus que caminha conosco em nossa caminhada rumo à Jerusalém Celeste.
Hoje a liturgia gira em torno do serviço, do serviço que Jesus veio inaugurar com a sua vida e o seu ministério. Isso porque Jesus veio para servir e para dar a sua vida em resgate de nossa salvação. Hoje vamos refletir sobre a salvação de Jesus que ilumina e pavimenta a nossa salvação.
A primeira leitura vai abrindo nossos corações para a reflexão deste domingo. A primeira leitura de Isaías nos leva a refletir sobre a missão de Deus de assumir os pecados da humanidade escravizada pelo pecado original. Jesus assumirá nossos pecados, carregará nossos pecados inaugurando um tempo novo, o tempo da salvação.
Irmãos e Irmãs,
O cenário do Evangelho de hoje é a estrada para Jerusalém. Jesus e os Apóstolos se aproximam da cidade Santa. Dois discípulos queriam sentar-se, um à direita e outro à esquerda, de Jesus. Puro engano! Ainda não haviam compreendido o projeto de salvação de Jesus, que era morrer na Cruz pela salvação da humanidade.
O Evangelho de hoje anuncia a missão de Jesus. O Evangelho de hoje nos ensina a identidade de Jesus que é humana e é divina. Um só homem em duas naturezas.
Jesus é aquele que dá a sua vida para resgatar as criaturas. Jesus é o Servidor Justo, que justificará, que salvará muitos, assumindo sobre si a iniqüidade humana. Essa será também a missão daqueles que seguem a Jesus, de seus apóstolos e de seus discípulos.
Em vista disso três pontos hoje devem nos tornar mais próximos de Deus e refletir sobre nossa vida, para conformar se estamos seguindo o que Deus quer de cada um de nós, ou se queremos nós mesmos nos transformar em Deus.
A primeira reflexão nos fala do Serviço. O que é o serviço para Deus? Servir a Deus é ser humilde, é colocar-se como servo dos servos, como servidor da fé, como animador e catequizador da comunidade de fiéis, nunca procurando os privilégios, mas procurando dispensar a misericórdia e a bondade de Deus, do Deus Servo dos Servos, daquele que se abaixa para lavar os pés de seus discípulos e envia-los para a missão do serviço.
E o serviço por excelência na evangelização é feito pela Santa Igreja que se coloca como a primeira servidora da comunidade fiel. Serviço fiel, serviço gratuito, serviço generoso!
A segunda reflexão nos fala de trabalhar, de usar o poder eclesiástico, a “potestas” como um sublime ministério de serviço na caridade.
A discussão para ver se sentará à direita ou à esquerda de Jesus deve ser encarada como “topar” todos os serviços na comunidade, desde o mais humilde ao mais responsável, sempre com caridade, desprendimento, humildade e, acima de tudo, amor. Tiago e João cometeram o pecado de querer ser iguais ao Deus Salvador.
Isso é um grave pecado, querer usurpar o lugar do Redentor, porque Tiago e João não poderiam morrer na cruz pela nossa salvação: essa era uma missão privativa do Filho de Deus, que depois subirá ao Céu e se sentará à direita do Pai.
Jesus se humilha, fazendo-se servidor e morrendo pelos nossos pecados, para ser glorificado, ou seja, irromper a morte e anunciar a vida eterna. Jesus nos ensina hoje a amar e esperar com fé e esperança a morte.
A Morte de Jesus é para nós muito cara, principalmente quando relembramos que todos nós bebemos do mesmo cálice da salvação e recebemos o mesmo batismo, ou seja, a porta de entrada para sermos associados ao Senhor Ressuscitado, pela salvação.
Todos nós temos muito de João e Tiago: queremos o Reino de Deus, mas não trabalhamos para isso, não fazemos jus a este prêmio eterno. Hoje os homens procuram o poder, a glória, o ter, a honra. O que nós devemos ter é uma atitude de desprendimento, de renúncia, de serviço, é humilhar-se como Cristo, para subir ao céu depois de nossa peregrinação neste mundo!
A terceira reflexão nos fala da RENÚNCIA. Fazer de nossas vidas cálices de salvação é renunciar a tudo o que nos oprime, a tudo que nos faz pecar e faz o irmão também pecar.
Renúncia que é compartilhar a dor que Jesus sentiu na cruz pela salvação da humanidade pecadora. Cálice que hoje na liturgia é relembrado como participação e comunhão no mistério da salvação, é participar do mistério, do destino e da cruz de Cristo.
Meus irmãos e Minhas irmãs,
A segunda leitura nos fala do sacerdote, como o santificador da comunidade.
Tenhamos presente que o apóstolo quer nos dizer que a participação de Jesus nos mais profundos abismos da condição humana – exceto no pecado – o qualifica para ser o melhor sacerdote imaginável. Um sacerdote que não está do outro lado da barra, mas que participa e celebra conosco, como o próprio Cristo.
Quem segue a Cristo no seu caminho, deve contar com a incompreensão, o sofrimento, as perseguições e o próprio aniquilamento. Sua vida será uma permanente oblação a Deus, passando pelo serviço ao próximo. Neste serviço, expressão do amor, realiza-se a libertação plena.
Demos graças ao Senhor Onipotente por tantos discípulos de Cristo que, a exemplo dele, continuam a dar a vida por seus amigos e por seus irmãos de fé. E neste dia das Santas Missões, da Santa Infância e da Evangelização entre os gentios peçamos a graça de compreender que o discipulado de Cristo passa pelo caminho da cruz que leva à ressurreição, à vida, à glória eterna. Amém!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO