
Padre Wagner Augusto Portugal
33o. Domingo do Tempo Comum, B.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Estamos adentrando no último quartel do ano litúrgico. No domingo próximo celebraremos a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Na semana seguinte, depois das comemorações alusivas ao Senhorio do Redentor do gênero humano, iniciamos o tempo penitencial do Advento na doce e festiva esperança do Nascimento do Salvador, o Menino Jesus.
Por isso mesmo a liturgia de hoje é permeada de gostinho de céu, de gostinho das bem-aventuranças eternas. Refletimos hoje sobre a realidade eterna, sobre o céu, sobre as bem-aventuranças.
Por isso podemos cantar como o Senhor nos ensinou na oração universal: “Vivendo de esperança, aguardamos a vinda gloriosa do Cristo Salvador!” Jesus volta ao mundo para coroar de êxito toda a esperança humana, toda a esperança nesta nossa caminhada de fé e de graça.
Nada de fim de mundo, mas de início de uma nova vida, a vida eterna, a vida na graça, a vida que brota da própria vida que é Jesus, o Senhor.
Para muitos a morte é o fim, conforme refletimos na festa de finados. Mas, para os cristãos a morte é permeada de sentido eterno, de sentido de salvação, de sentido escatológico, de uma visão beatífica junto de Deus.
Todos nós morremos um pouco diariamente: morremos para o pecado, morremos para a auto-suficiência, morremos para o consumismo, morremos para a vaidade, e renascemos para a graça, para a santidade, para a vida nova, para a vida de comunidade, para a vida da misericórdia. O cristão não espera uma coisa determinada.
O cristão espera por uma pessoa determinada, com nome e sobrenome: JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO, e REI DE NOSSA VIDA. A morte é um acontecimento pessoal, entre duas pessoas: nós e o Cristo, que nos vem ao encontro para fazer conosco uma comunhão.
O fim do homem não é a morte e o nada, mas Jesus Cristo, em direção de quem crescemos ao longo da vida. No momento do encontro, une-se nossos destinos, identifica-se nossa história. Nele, o “Vivente”(Cf Ap 1,18), viveremos para sempre.
Estimados irmãos,
Jesus está em Jerusalém. Lá ele pronunciará o chamado Discurso Escatológico, ou seja, o discurso que trata das coisas após a morte. Usando um estilo apocalíptico Jesus retoma suas grandes lições para a vida da comunidade no presente e seu caminhar para o amanhã. Nos ensinamentos de Jesus, muitas vezes presente e futuro se confundem.
A história da salvação é um projeto que vai se realizando. Por isso é sempre alguma coisa a vir e, ao mesmo tempo, alguma coisa que está acontecendo e nos envolve e nos anima.
A segunda vinda de Jesus é chamada de Parusia, ou seja, de chegada. Jesus retornará repleto de seu resplendor e cheio de autoridade para julgar os vivos e os mortos. Será o Rei da Justiça e o Pai da Misericórdia, sendo estes o seu código de julgamento: “a salus animarum’, como cantou o autor eclesiástico das letras canônicas, ou seja, o homem que defenderá a salvação das almas.
Aqueles que construíram em vida um caminhar repleto de misericórdia e de justiça, vivendo na graça de Deus, cumprindo os seus mandamentos, sendo caridoso, cumprindo com as prescrições de uma vida santa e coerente, este poderá entrar no regaço do Senhor, vem bendito do meu Pai ocupar o lugar que vos foi preparado.
Evangelho de hoje realça exatamente esta segunda vinda de Cristo: esperança, desapego e boas obras são a senha para uma vida digna de ser aquinhoado com a vida eterna.
Para o doce encontro com o Senhor Ressuscitado é mister ficar desapegado de tudo, destruir, ao longo da vida, o templo em que adoramos os nossos ídolos, que impedem de todo ver ou impedem de ver com limpidez e candura a face amorosa de Deus. Cultivamos nossos ídolos como se fossem sagrados, por isso mesmo levam o nome de ídolos.
Quantas vezes damos maior importância a nossa casa, ao nosso carro, ao nosso celular, ao nosso computador, a nossa roupa ou ao nosso passeio. Quantas vezes estes bens transitórios são mais importantes do que os bens eternos que repousam e residem em Jesus Cristo e na sua Santa Igreja Católica?
Jesus alude a destruição do Templo, efetivamente ocorrida no ano 70, não para falar do templo estrutura construída por mãos humanas, mas para realçar o seu templo que foi destruído com a morte e reerguido com a vitória sobre a morte com a ressurreição ao terceiro dia.
Amados Irmãos,
Jesus é a porta da vida eterna: esse é um encontro que nenhum de nós poderá fugir. É um encontro inexorável. “O céu e a terra passarão, minhas palavras não passarão”. A primeira Leitura nos conta como os apocalípticos antes de Jesus imaginavam os últimos dias. Os justos ressuscitarão para a vida eterna, os impôs para a vergonha sem fim.
A realidade decisiva não é aquela que se mostra aos nossos olhos. A nossa ressurreição, entretanto, já começou na medida em que nossa vida está toda unida à de Cristo, que ressuscitou pela salvação de nossos pecados.
A vida que dura não é a das células do corpo, mas a da comunhão em Deus. A ressurreição de Jesus é a amostra segura dessa vida: quem segue Jesus, já está encaminhado para essa vida que não tem limite, por ser a vida de Deus mesmo. Jesus não perde a validade. Observando sua palavra e vivendo sua prática de vida já estamos vivendo a vida sem fim que se manifestou na ressurreição de Jesus.
Assim, depois que cada ser humano tiver participado da sorte de Cristo, tiver enfrentado as provações, perseverado no bem e vivido o mandamento do amor, será o fim. A realidade última manifestar-se-á diante de todos.
Os justos receberão a recompensa e os que não tiverem acolhido o dom de Deus, serão confundidos para sempre. A recompensa, a comunhão feliz com Deus e o próximo para sempre é chamado céu. A confusão eterna é chamada de inferno, que consiste na eterna carência do amor de Deus e ao próximo.
É tempo de mudança e de conversão: cada qual escolha a sua sentença: o fogo do inferno ou a vida em Deus. Assista-nos a Virgem da Esperança e Santo Antônio no nosso caminho de santificação, Amém!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO