
Padre Wagner Augusto Portugal
Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, B.
“O cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele glória e poder através dos séculos”. (Cf. Ap 5,12; 1,6).
Meus queridos Irmãos,
Chegamos, enfim, ao término do tempo litúrgico chamado tempo comum. Com a solenidade deste domingo queremos dizer que Jesus Cristo é nosso Rei! Ele nos governa com sabedoria e amor, conduzindo-nos ao bem e a justiça. Quem O segue conhece a verdade que vem do Pai e dá sentido novo à sua vida.
Tradicionalmente, o último domingo do ano litúrgico fala da consumação escatológica do mundo e da História. Neste ano o tema central do Evangelho é tomado não do Evangelista Marcos, mas do Evangelista João que coloca a figura de Jesus na plena luz da glória divina, que nele se manifesta. Assim podemos ler em João com clareza o que em Marcos fica subjacente.
São João afirma claramente que Cristo é Rei, mas explica também que seu Reino não é deste mundo e sim o Reino do testemunho da verdade, que é Deus, Deus revelando-se em Jesus, na morte por amor. Pois é na sombra da Cruz que Jesus identifica seu Reino como testemunho da verdade. É na Cruz que Jesus é, por excelência, a “Testemunha fiel”, o “Rei dos Reis”.
Meus caros Irmãos,
Encerramos mais um ano litúrgico, porque temos a certeza de que neste ano em que o Evangelho era o Evangelho de Marcos, em tudo “demos graças e trabalhamos em nome do Senhor Jesus, para a glória de Deus Pai”.
Jesus morrendo na Cruz pela nossa salvação e irrompendo a morte ao terceiro dia inaugura um novo Reinado e uma nova humanidade, tendo santificado em si mesmo todas as criaturas, chamadas agora a participar de seu reinado, que é um reinado eterno e universal, de verdade, de amor, de justiça, de caridade e de paz.
Quando queremos coroar a Jesus como rei de nossa vida, de nossa caminhada, de nossa Igreja vamos pedir a graça de celebrar a Jesus como Rei do Universo e Rei de nossa vida procurando pavimentar aqui e agora a vida eterna que é o prêmio e a força que Jesus nos oferece. O binômio de santidade e de caridade nos pavimenta para junto de Deus.
Queridos Irmãos,
Pilatos questiona no evangelho de hoje: “Tu és o Rei dos Judeus?”(Cf. Jo 18, 33) Jesus devolve a pergunta a Pilatos perguntando ao seu algoz se ele perguntava isso por si mesmo ou porque outros disseram isso para ele. Jesus explica que não é um rei terreno, com exércitos e com poderes passageiros.
O Reinado de Jesus não é deste mundo, é sim um reinado com gostinho de céu, com gostinho de vida eterna, com gostinho de amor, um reinado de tranqüilidade e paz eterna.
Jesus, desde os tempos pretéritos, ou seja, desde os tempos do Antigo Testamento é o Rei Esperado como alguém animado pelo Espírito de Deus, capaz de trazer a terra à justiça, a verdadeira piedade, a paz duradoura, o serviço generoso e alegre, a solidariedade, a construção da globalização da partilha e do amor.
Já a segunda-leitura, retirada do Livro do Apocalipse, dá a tonalidade messiânica a Jesus, o Rei que ama o Pai e a nós pecadores com o máximo de amor, que para fazer a vontade do Pai e ao salvar-nos derrama seu sangue, redimindo-nos, consagrando-nos e fazendo-nos reinar com ele. (Cf. Ap 1,5-8)
Amados irmãos,
O que é a verdade? Jesus disse hoje que veio ao mundo e que morreu em busca da verdade, para “dar testemunho da verdade”(Cf. Jo 18, 37). Verdade no texto de hoje é a amorosa experiência do encontro com Deus, na busca da fidelidade a esse encontro, que a Sagrada escritura chama de nova e eterna Aliança.
Jesus veio ao mundo exatamente para tornar visível para sempre o amor indefectível de Deus para com a humanidade e de recriar as coisas, estabelecendo um novo e inquebrantável relacionamento entre as criaturas e o Criador. Esta missão Jesus a confirma diante de Pilatos, ou seja, diante das autoridades do mundo, ao dizer que viera ao mundo para ser rei e dar testemunho da verdade.
Testemunha fiel ou Testemunha da Verdade são duas características que Jesus pede de cada um de nós neste domingo, sempre contando com a graça divina que quer de nós homens e mulheres santos e fiéis, caminhando para a vida eterna, inteiramente voltado para a vontade de Deus para os homens que é a felicidade e a santidade.
A verdade exige do Discípulo e do Apóstolo coerência entre práxis e vida: assim o discípulo deve ser como Jesus foi diante de Pilatos, ou seja, desapegado, simples, sincero, homem que repartiu e deu uma diretiva para o seu condestável: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.
Voz que clama por justiça, por paz, por solidariedade, por caridade, por desprendimento, e, mais do que isso, por um compromisso com uma Igreja ministerial e misericordiosa, engajando-se cada vez mais na pastoral de conjunto e na pastoral orgânica.
Queridos Irmãos,
Se Jesus é Rei Ele precisa de um trono. Qual é o trono de Jesus, portanto? Não o trono da glória, mas o trono do sacrifício, porque o seu trono é a Cruz, lenho bendito de onde Ele reinou...
Jesus caminhou serenamente para o seu trono que é a Cruz. Cada um de nós tem como meta à Cruz de Cristo, não a Cruz somente do sofrimento e da fadiga, mas a Cruz da Ressurreição, da vida eterna, do gozo sem fim...
Jesus não veio fazer concorrência com os reis e senhores desta terra. Jesus está acima de todos e todos e cada um lhe devem estar sujeitos, queiram ou não: “A Ele foi dado poder, majestade e império, e todos os povos, nações e línguas o serviram. Seu poder é um poder eterno, que nunca passará e seu reino jamais será destruído”.
No fim, “Ele entregará à infinita majestade divina este reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, do amor e da paz”.
Este reino tem início neste mundo e permanecerá na vida eterna, para sempre. Porque do trono da Cruz, do Sepulcro vazio, “A Ele pertence à glória e o poder pelos séculos dos séculos, Amém!”.
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO