
Padre Wagner Augusto Portugal
Brilha no céu e na terra uma luz que nunca se apagará, o Santo Arcebispo Luciano, pai dos pobres e santo contemporâneo!
Os santos não morrem, mas vivem eternamente: com esta certeza tento conter as minhas lágrimas para contemplar a luz que não se apagará jamais de minha alma da figura santíssima de um grande homem que se fez santo neste mundo de meu Deus: o santo contemporâneo DOM LUCIANO PEDRO MENDES DE ALMEIDA, que na mesma estatura de DOM ANTÔNIO FERREIRA VIÇOSO, CM, transformou o Áureo Trono Arquiepiscopal Primaz Marianense na mais autorizada Cátedra Católica do Brasil, não por ser a terceira e mais importante e influente Arquidiocese do Brasil, mas pelo testemunho e pela santidade de seu titular, o grande jesuíta que em breve, pela sua missão, pelo seu compromisso com os pobres, pela sua vida autenticamente evangélica, pelos seus compromissos com os mais desvalidos, terá as suas virtudes heróicas reconhecidas pela Igreja, e vai ser elevado, se Deus permitir, às glórias dos Altares, para o gáudio e a alegria de todos nós. Não vamos lamentar, como escreveu o inoportuno articulista do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO de hoje, que Dom Luciano foi confinado a Arquidiocese de Mariana como “castigo”.
Isso é desconhecimento da verdade. Mariana é Arquidiocese mais antiga do que São Paulo. É Arquidiocese de gente simples, graças a Deus, que acorda cedo, que trabalha com dificuldade, mas que guarda as raízes e os valores do Evangelho, que mantêm aquela chama viva do Evangelho de homens intrépidos evangelizadores, como Dom Luciano dizia, de sacerdotes santos da têmpera de Monsenhor Vicente Diláscio, de Dom Francisco Barroso, de Dom José Belvindo, de Dom Hélio Gonçalves Heleno, de Dom José Heleno, sacerdotes zelosos que se embrenhando pelas montanhas, pelos vales, pelas ruelas das muitas cidades desta importante Arquidiocese Mãe de todas as Igrejas de Minas plantaram o Evangelho, o mesmo Evangelho de Cristo, na mesma tradição que Dom Luciano pregou, fiel ao mandato de seus santos predecessores, os Bispos e Arcebispos Dom Frei Manoel da Cruz, Dom Joaquim Borges de Figueiroa, Dom Frei Bartolomeu Manoel Mendes dos Reis, Dom Domingos da Encarnação Pontevel, Dom Frei Cipriano de São José, Dom Frei José da Santíssima Trindade, Dom Antônio Ferreira Viçoso, Dom Antônio Maria Corrêa de Sá Benevides, Dom Silvério Gomes Pimenta, Dom Helvécio Gomes de Oliveira e Dom Oscar de Oliveira. Todos, angélicos pastores, que ornaram como o magno Arcebispo Dom Luciano, pela simplicidade e pelo atendimento a gente simples e santa da região central de Minas, pela palavra e pelo Exemplo os quatro pilares da fé católica, apostólica e romana: a Sagrada Escritura, os Mandamentos, a Profissão de Fé e o Pai Nosso.
Dom Luciano Pedro, nascido a 05 de outubro de 1930, na cidade do Rio de Janeiro, de nobre família benfeitora da Igreja, filho de Cândido Mendes de Almeida e de Emília Mello Vieira Mendes de Almeida, ainda jovem entrou para Companhia de Jesus. Freqüentou os estudos de filosofia em Nova Friburgo (RJ) de 1951 a 1953 e, em Roma, completou os seus estudos de teologia de 1955 a 1958. Doutorou-se em filosofia no ano de 1965. Chamado à plenitude do sacerdote foi eleito bispo auxiliar de São Paulo, recebendo a ordenação episcopal no dia 2 de maio de 1976, exercendo o ofício de Bispo Auxiliar para a Região Leste 1 da Arquidiocese de São Paulo. Neste mister se destacou pelo carinho com os excluídos, particularmente com as crianças de rua, os marginalizados, os direitos para com todos aqueles que viviam perseguidos pela Revolução Militar, enfim, numa luta constante pelo direito à vida e a esperança.
Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – Dom Luciano trabalhou por dezesseis anos. Primeiro como Secretário Geral no período de 1979 a 1987, e, depois, como seu Presidente no período de 1987 a 1994. Dom Luciano foi membro do Conselho Permanente do Sínodo Especial do Sínodo dos Bispos desde 1987; membro da Pontifícia Comissão Justiça e Paz desde 1992; Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM, no período de 1995 a 1998.
O Papa João Paulo II promoveu Dom Luciano, a 06 de Abril de 1988, de Bispo Titular de Turris in Proconsulari e Auxiliar de São Paulo para Arcebispo Metropolitano de Mariana e Primaz de Minas Gerais tomando o ilustre Prelado posse de sua Arquidiocese a 28 de Maio de 1988.
Na Igreja Mãe de Minas, Dom Luciano organizou a Arquidiocese de Mariana em cinco Regiões Pastorais e teve especial atenção à formação do seu presbitério, reestruturando o Seminário Arquidiocesano São José. Igualmente, priorizou a atuação dos fiéis leigos realizando assembléias pastorais, constituindo os Conselhos Arquidiocesanos, dinamizando as dimensões e pastorais, como Catequese, Liturgia, Pastoral da Criança e do Menor, Pastoral da Juventude, Pastoral das Vocações e Ministérios, Pastoral do Dízimo e Pastoral Familiar.
Sob a sua orientação, a Arquidiocese investiu na comunicação, criando o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (DACOM), modernizando a Editora Dom Viçoso. O patrimônio histórico, artístico e cultural (igrejas, museus, imagens etc) também mereceu do ilustre Arcebispo grandes investimentos com destaque para a recuperação do Santuário Nossa Senhora do Carmo, que não podemos esquecer a inestimável e sempre lembrada colaboração do saudoso Monsenhor Vicente Diláscio, destruído em incêndio no ano de 2001, e o Palácio dos Bispos cuja restauração está prestes a terminar, graças aos trabalhos de Dom Luciano que conseguiu todos os recursos pelo seu prestígio pessoal, e disso sou testemunha ocular.
Nas muitas coisas que devemos proclamar da vida e do ministério de Dom Luciano, de nossa amizade, posso testemunhar, como seu colaborador, tendo a honra de advogar para ele muitas causas junto ao Foro da Comarca de Mariana e junto ao Tribunal de Justiça, ao STJ e ao STF causas de interesse da Arquidiocese, o que mais me impressionou foi a sua firmeza diante dos postulados do Evangelho, mesmo diante dos “poderosos deste mundo”, o seu desprendimento; a sua força de vontade em servir, com o seu famoso modo ser: “O que eu posso fazer para lhe ajudar?”.
Ficarão marcadas em minha memória, as suas palavras, na minha primeira missa, em que ele teve a delicadeza de pregar em minha cidade natal, Boa Esperança. Palavras de pai para filho. Ficarão marcados os seus longos telefonemas diários, os seus conselhos, e mesmo as suas “broncas”, que mais pareciam testemunhos de “pai” para filho. Até para chamar atenção Dom Luciano era um “Lord”, sempre sutil. Mas o que mais impressionou, foi logo no início de agosto, quando sozinho com ele nos primórdios de sua quimioterapia, no quarto do HC, em São Paulo, com a relíquia de Dom Antônio Ferreira Viçoso em suas mãos, ele me pediu que rezasse a Oração pela Beatificação de Dom Viçoso. Rezei com ele.
Depois Dom Luciano pediu que rezássemos uma Ave-Maria, confiando a Nossa Senhora do Carmo, Padroeira de Mariana, a sua saúde. Assim o fizemos. Depois olhos fitos em mim, ele me disse: continue fazendo o bem que você sempre fez aos outros, a Igreja, aos pobres, à mim. Eu sempre lembrarei de você, meu filho.
Hoje eu digo ao senhor, meu pai e amigo, Dom Luciano. Nesta comunhão dos santos que agora o senhor vive a plenitude, olhe por nós. Olhe pela Igreja no Brasil que o senhor tanto serviu. Olhe pelo Brasil. Olhe pelas crianças pobres. Olhe pela juventude desvalida. Olhe pelos que não tem vez e pelos que não tem voz. Olhe pela Igreja de Minas que o acolheu.
Olhe pelos mineiros que o fez cidadão desta gente sofrida e que o amará eternamente. Olhe por todos nós que o temos como nosso grande intercessor junto de Deus. João Paulo II pediu que os brasileiros rezassem para que a Igreja no Brasil oferecesse santos a Igreja Universal. A Igreja não precisa rezar mais neste sentido: agora temos um grande santo: um modelo de santidade ao clero: Daí, ó Trindade, sacerdotes como Padre Luciano. Daí, ó Trindade, bispos como Dom Luciano. Daí, ó Trindade, catequistas, como Dom Luciano. Que ele Descanse em paz e brilhe para Ele a luz divina. Amem!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO