Para que a Manifestação Divina
não deixasse dúvida sobre a sua
autenticidade, o CRIADOR escolheu uma jovem simples,
humilde e sem qualquer instrução,
que vivia com os pais e irmãos de favor
num comodo abandonado, numa terrível e
deplorável pobreza.
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Bernadete nasceu em
Lourdes, a 7 de janeiro de 1844, no moinho
de Boly, que seu pai Francisco Soubirous
herdou do sogro. |
Moinho Boly, onde nasceu
Bernadete |
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Seu pai, homem forte
e apesar de habituado ao trabalho, tinha
pouca intuição administrativa
e comercial, que lhe propiciasse bons rendimentos
na profissão de moleiro. |
A mãe, Luisa
Casterot , loira, de olhos azuis, possuía
traços bem delicados e gênio
muito agradável. |
Bernadete, ou Maria Bernarda tinha três
irmãos: Antonieta Maria (Toinete) João
Maria e Justino.
Em 1852 os Soubirous atingiram a faixa perigosa
da falta de dinheiro, em conseqüência
da má administração do moinho.
Tinham "pena" dos que não pagavam
as contas e muitas vezes não se recusavam
ate em adiantar-lhes a farinha, por conta da próxima
colheita.
Todos os clientes que traziam trigo para moer,
ou que levavam a farinha, eram muito "bem
tratados" pela moleira, que lhes servia vinho,
queijo e até bolo. Ninguém fazia
economia. Sem vaidade, mas por excesso de bondade,
ofereciam o "máximo" a todos
os visitantes .
Isto resultou no afastamento da clientela "boa",
aquela que pagava regularmente as contas, porque
eles observando aquele desperdício, prenunciaram
um péssimo desfecho para o negócio
do senhor Francisco e ficaram receosos de involuntariamente
serem também envolvidos em algum "desastre
comercial".
Mas a clientela "ruim", aqueles que
iam para aproveitarem-se da fidalguia dos Soubirous,
estes cada vez mais enraizavam-se. 0 resultado
não podia ser outro; com o crescente aumento
das despesas e a diminuição do faturamento,
as contas do moinho começaram a dar prejuízos
.
Em 1854 tiveram que mudar de casa. Seu pai vendeu
o moinho para pagar dívidas e procurou
emprego para poder viver.
Em 1855, convidada por uma tia, Bernadete foi
morar em sua companhia, para ajuda-la num pequeno
restaurante e na execução de serviços
caseiros, como remendar roupas, fazer barrela,
coser, etc. Isto de certa forma foi bom para os
seus pais, porque aliviou-lhes o orçamento.
Era uma boca a menos à alimentar. Mas pouco
adiantou; em 1856, por causa do desemprego na
região, os Soubirous são despejados
da casa na rua Rives por falta de pagamento e
ainda tiveram que deixar algumas peças
do mobiliário, que já era pequeno,
para pagar a dívida.
Como
não tinham local para morar, porque
ninguém queria alugar-lhes uma
casa, Francisco foi procurar um primo,
André Sajous, que tinha recebido
de herança de um tio chamado Taillade,
o prédio da antiga cadeia municipal,
o "cachot (calabouço)"
, que estava abandonado, mas onde ele
também morava com sua esposa e
cinco filhos, num cômodo na parte
superior. Sobrava um cômodo na parte
inferior, que anualmente era alugado para
uns miseráveis espanhóis.
Era um buraco infecto e sombrio, a divisão
inabitável da antiga prisão,
abandonada por causa da insalubridade.
E foi lá que Francisco Soubirous
foi morar com sua família, porque
foi o único local que conseguiu.
E assim, num cômodo de 3,72 x 4,40
metros, arrumaram como podiam, as camas,
armários e os utencílios
de cozinha. Ali mesmo cozinhavam e dormiam.
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Por esta ocasião, Bernadete já
tinha voltado para junto de seus pais e irmãos.
Na umidade daquele local, periodicamente sua asma
crônica manifestava-se em acessos violentos
de tosse que a deixava quase sem fôlego.