Do dia 16
de junho de 1858, data da última Aparição
de Nossa Senhora, até junho de 1866, quando
iniciou sua viagem para entrar no Convento de Saint
Gildard em Nevers, conviveu com as Irmãs
do Hospício, na sua cidade, freqüentou
a escola onde adquiriu um pouco de instrução
e exercitou um profícuo apostolado junto
aos doentes internos.
Mas foi também um período difícil
de sua vida, porque era solicitada e importunada
em todos os momentos, por curiosos, por pessoas
que queriam o seu autógrafo, queriam vê-Ia,
assim como tocar-lhe e fazer-lhe perguntas.
Foi assediada também por diversas Ordens
Religiosas que a queriam, cada uma desejava que
ela entrasse em sua Comunidade. Mas inicialmente,
preferiu continuar ao lado dos pais e irmãos.
Com o passar do tempo e o sempre crescente número
de visitantes, fizeram com que sentisse a necessidade
de isolar-se, para poder trabalhar, para ser útil
de alguma forma e não ficasse apenas como
um objeto de admiração pública.
Por esse motivo começou a pensar em ingressar
num Convento. Mas havia outros problemas que interferia
e dificultava a sua decisão: a asma crônica,
sua pobreza que não lhe permitia ter um dote
e a falta de instrução.
Entretanto, com o passar dos meses a convivência
em casa estava tornando-se impossível, em
face dos motivos mencionados, por isso decidiu-se
e escreveu para Nevers pedindo autorização
para entrar no Convento. A resposta veio positiva.
Em 7 de julho de 1866, às 22 horas e 30 minutos,
desembarcava na estação ferroviária
de Nevers, acompanhada de mais duas postulantes,
Maria e Leontina, e de duas Superioras da Comunidade.
No dia 8 de dezembro teve uma grande tristeza com
a noticia da morte de sua mãe Luisa com 41
anos de idade.
Bernadete encontrou em sua vida de Convento as dificuldades
naturais que o ciúme pode causar a algumas
pessoas , por ter sido ela a preferida da Virgem
Mãe, apesar de ser tão modesta, simples
e sem qualquer instrução.
E foi com muito sofrimento, com um imenso amor pelo
próximo, um perseverante espírito
de disciplina e obediência inigualáveis,
que conseguiu superar todos os momentos difíceis.
Respeitosamente acatava as decisões e as
ordens das Superioras, mesmo que ás vezes
denotassem um excesso de rigor ou que fossem na
maioria das vezes ofensivas, aceitando-as sem discuti-las,
com um singelo sorriso.
No dia 30 de Outubro de 1867 fez a sua "Profissão
de Fé". Sua voz era firme e sem afetação.
Compromete-se por toda a vida a praticar a pobreza,
a castidade, obediência e caridade.
Foi escolhido para ela o emprego da Oração
e auxiliar na Enfermaria da Casa Mãe.
Com a morte da Enfermeira Chefe Irmã Marta
a 8 de Dezembro de 1872, por iniciativa própria,
assumiu a responsabilidade da Enfermaria, sem nomeação
das Superioras, tomando sobre si todas as tarefas
e atribuições da função.
É assim que organizou a Enfermaria, colocou
rótulos nos produtos relacionou as diversas
poções, escrevendo as formulas, tudo
com capricho e interesse. E também, com invulgar
dispensava atenção e carinho a todas
que necessitavam de seus serviços.
No dia 4 de março de 1871 recebeu um telegrama
que trazia a notícia da morte de seu pai.
Chorou muito, com imensa saudade dele. Dias depois
escreveu à Maria sua irmã:
"Venho chorar contigo. Fiquemos no entanto
submissas, embora bem desgostosas, à mão
paternal que nos bate tão duramente há
algum tempo. Levemos e beijemos a Cruz".
A 3 de junho de 1873 sua saúde não
estava bem, teve uma séria e preocupante
recaída. Ninguém duvidava de que fosse
morrer. Recebe a Extrema Unção pela
terceira vez. No entanto, dias depois, melhorou
e voltou a rir e a ter disposição
para o seu trabalho na Enfermaria.
A 11 de dezembro de 1878, deita-se definitivamente
na sua "Capela Branca", como chamava o
seu leito na sala da enfermaria, porque ele possuía
um grande cortinado que o envolvia. Colocou próximo
a imagem de São Bernardo de Claraval, seu
padrinho de batismo.
Padre Febvre, seu último confessor e que
constantemente estava em sua companhia, enumera
as suas enfermidades:
Uma asma crônica, dilacerante do peito, acompanhada
de vômitos de sangue que duraram dois anos.
Tinha aneurisma (desenvolvimento da aorta), uma
gastralgia, um tumor no joelho... Enfim, durante
os dois últimos anos, a cárie dos
ossos, de forma que seu pobre corpo era o receptáculo
de todas as dores. Também, formaram-se abcessos
nos ouvidos da Irmã Maria Bernarda que a
afligiram com uma surdez parcial que lhe foi muito
custosa e não cessou senão algum tempo
antes da morte.
A partir do dia em que fez os votos perpétuos,
a 22 de setembro de 1878, os sofrimentos redobraram
de intensidade e não cessaram senão
com a morte. A sua ambição, que escondia
e não permitia que as pessoas soubessem,
era o seu imenso desejo de ser uma vítima
para o SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. |