Setembro - Mês da Bíblia
Podemos chegar
ao céu sem ler a Bíblia. Se não fosse assim,
os analfabetos não teriam esperança. Se a leitura
da Bíblia fosse necessária para ir para o céu,
a maioria das pessoas que viveram antes da invenção
da imprensa, se teriam visto num grande apuro para chegar ao
céu.
Os ensinamentos orais dos Apóstolos foram transmitidos
de geração em geração por meio dos
papas e bispos da Igreja Católica. Esses ensinamentos
foram em grande parte registrados por escrito pêlos escritores
cristãos dos primeiros tempos a quem chamamos Padres
da Igreja.
A Bíblia não é tudo, mas é um grande
Algo que nenhum católico interessado no progresso espiritual
pode permitir-se ignorar. Alimentamos nossa alma com a Palavra
Encarnada do Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, presente na Sagrada
Eucaristia. E também nutrimos a nossa mente e o nosso
coração com a Palavra de Deus que nos foi entregue
pêlos patriarcas, profetas e Apóstolos que escreveram
os Livros da Bíblia. A Bíblia contém 73
Livros.
Começa com o Livro do Gênesis, atribuído
ao patriarca Moisés, e termina com o Livro do Apocalipse,
escrito pelo apóstolo São João. Poderíamos
dizer que Deus teve muito trabalho para nos dar a Bíblia
e. naturalmente, espera que a leiamos. Bem, se eu ainda não
tenho uma Bíblia em casa ou ainda, se não tenho
o hábito de lê-la, este mês é um bom
momento para começar.
Em setembro, as comunidades católicas,
acentuam as celebrações, estudos e orações
centradas na Bíblia. A Palavra de Deus, revelada à
humanidade através dos livros sagrados, é festejada
com maior destaque neste mês de setembro. É parte
de um calendário litúrgico pastoral. Assim, por
exemplo, mês de maio é dedicado mais à Maria,
mãe de Jesus e ao papel da mulher na salvação
da humanidade, agosto lembra-se da vocação humana
como forma de realização pessoal e comunitária,
em outubro aprofunda-se o compromisso missionário do
cristão no mundo, setembro se dedica e perceber que a
Bíblia surgiu como fruto da inspiração
divina e do esforço humano.
A Bíblia é o livro da humanidade.
Ora, um livro tão procurado e lido por tanta gente deve
possuir um segredo muito importante. A Bíblia é
palavra de Deus. Em todas as épocas da história,
sabe-se que o ser humano busca explicações a partir
da revelação do sagrado. E a Bíblia é
uma forma deste sagrado, Deus, revela-se à humanidade.
A fé que mora em nós, nos diz que a Bíblia
é a palavra de Deus para nós, “Não
só de pão vive o homem, mas de toda a palavra
que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Uma palavra tem a força
e o valor daquele ou daquela que a pronuncia. A palavra humana
pode ser errada, mas a palavra de Deus não erra nem engana.
Nela nos sentimos seguros e confiantes para continuarmos a caminhar
e construirmos nossa vida, nossa vocação, nosso
trabalho. E assim nos tornamos romeiros que caminhamos e saciamos
a sede na água viva que encontram na Bíblia.
Os homens sempre sentiram a necessidade
de se comunicar, falando uns com os outros sobre si mesmos,
sobre os acontecimentos, sobre o mundo, sobre tudo afinal. Bem
depressa, ao lado dessa comunicação oral, nasceu
uma "literatura", uma comunicação mais
elaborada. Eram hinos e poemas que falavam sobre os acontecimentos
do passado, sobre os deuses, sobre os costumes e as tradições.
Eram textos nascidos nas reuniões da comunidade, textos
feitos para serem declamados. Textos que continuavam a ser repetidos
de cor, muito depois que já se tinha esquecido o nome
dos seus autores.
A Bíblia foi surgindo do esforço comunitário
de homens e mulheres que foram percebendo a ação
de Deus na história da humanidade. Surgiu aos poucos,
misturada com a história do próprio povo de Deus.
Podemos afirmar que a Bíblia nasceu da vontade do povo
de ser fiel a Deus e reconhecendo que Deus é fiel. A
Bíblia nasceu da preocupação de transmitir
aos outros e a nós esta fidelidade de Deus para com a
humanidade e ao mesmo tempo convocando a todos homens e mulheres
a serem fiéis ao processo de salvação que
Deus quer para todos nós.
A Bíblia é para nós
principalmente um livro. Não podemos, porém, esquecer
que grande parte da Sagrada Escritura, antes de ser um livro
escrito, foi uma série de poemas e narrativas que eram
repetidas de cor nas assembléias do povo. Abra sua Bíblia
na profecias de Jeremias. A nossa primeira impressão
é que o profeta escreveu tudo antes ou logo depois de
ter falado. Mas não foi assim. O profeta falou e só
vinte e dois anos depois é que suas profecias foram escritas.
Justamente para facilitar o trabalho da
memória e ajudar a transmissão falada é
que a maioria dos textos eram compostos numa forma ritmada e
num estilo cheio de paralelismos e repetições,
rimas e provérbios.
A base da nossa instrução
é o aprendizado da leitura e da arte de escrever. Antigamente
a instrução, a cultura baseava-se na memória,
na repetição das tradições que deviam
ser fielmente conservadas. Houve, porém, um momento em
que a comunicação devia ser feita para pessoas
ausentes, ou então, era preciso fixar de algum modo os
textos, seja para ajudar a memória, seja para dar maior
valor ao documento. Foi assim que a humanidade, numa época
que já não podemos determinar com precisão,
começou a recorrer à escrita.
As primeira forma de escrita chamava-se
"ideográfica", isto é: desenho da idéia.
Aos poucos os desenhos começaram a representar os sons
que formam as palavras. Nasceu assim a escrita "fonográfica":
o desenho dos sons. Só muito mais tarde surgiram os desenhos
que, de modo semelhante às nossas letras atuais, formavam
a transcrição das palavras.
No Tempo de Moisés, a escrita já
era muito usada. Já fazia bem uns 1500 anos que os egípcios
conheciam a arte de escrever. Sabemos, pela própria Bíblia,
que antes dela já existiam alguns "livros Encontramos,
por exemplo, referências ao "Livro das guerras de
Javé", ao "Livro do Justo. Pelas descobertas
da Arqueologia (ciência que estuda as antigas civilizações),
sabemos que já existiam alguns escritos bíblicos
mil ou até dois mil anos antes de Cristo. Mas não
vamos esquecer que esses textos eram parciais. Eram antes um
auxílio para a memória, e não propriamente
livros como os nossos, destinados a estar nas mãos de
todo o mundo. Os livros antigos não eram tão práticos
como os nossos nem estavam ao alcance de todos. Eram coleções
de placas de metal, de madeira, de argila, de cascas de árvore
ou de folhas. Com o tempo, passaram a ser feitos com o papiro
ou o pergaminho. O papiro era uma espécie de papel primitivo,
feito com o caule da planta chamada papiro. O pergaminho era
feito com pele de animais, principalmente carneiros e cabras,
cuidadosamente preparada. As "folhas" de papiro ou
de pergaminho eram emendadas, formando longas tiras de até
50 metros de comprimento, enroladas para facilitar o manuseio.
Outras vezes, as folhas eram costuradas, formando um "caderno".
Antes da invenção da imprensa,
os livros eram trabalhosamente copiados à mão,
um por um. Isso aumentava muito o seu custo. Eram poucos os
que se podiam dar ao luxo de possuir uns poucos livros. Devido
a tudo isso é que a cultura antiga não estava,
como a nossa, baseada na palavra escrita. Os conhecimentos eram
transmitidos principalmente através dos mestres, dos
poetas e dos cantores, que recitavam de aldeia em aldeia os
antigos poemas sobre os heróis e sobre os deuses. Temos
de ter isso em mente quando começamos a folhear a nossa
Bíblia.
Antigo Testamento
A palavra testamento quer ser a tradução
de uma palavra grega: "diatéke, que podia tanto
significar "testamento como contrato" ou "aliança".
Na linguagem dos judeus, que viviam entre gregos, essa palavra
"diatéke significava a aliança, o contrato
pelo qual Deus se uniu a seu povo escolhido. Sendo assim, "Antigo
Testamento" é a primeira parte do plano de Deus
para a salvação da humanidade, a história
da aliança feita com o povo judeu. Novo Testamento"
é a história da aliança definitiva entre
Deus e toda a humanidade, aliança que renova e leva à
perfeição a primeira aliança feita com
um povo. O Antigo Testamento engloba os livros da Bíblia
do tempo dos judeus até o tempo de Jesus. Os judeus dividiam
a Bíblia em três partes: A LEI, OS PROFETAS, OS
ESCRITOS.
A primeira parte, A LEI, era chamada "Torah".
É composta pelos cinco primeiros livros: GÊNESIS,
ÊXODO, LEVÍTICO, NÚMEROS E DEUTERONÔMlO.
Essa parte é também chamada de "Pentateuco",
o que quer dizer: "Os cinco livros. Contém as leis
dadas por Deus e narrativas que apresentam as circunstâncias
históricas da manifestação do plano de
Deus para a salvação. Essa primeira parte ainda
continua em nossa atual divisão do Antigo Testamento.
As outras divisões atuais são: LIVROS HISTÓRICOS,
LIVROS SAPIENCIAIS, LIVROS DOS PROFETAS.
A Bíblia não foi escrita
como um dos nossos livros atuais, divididos em capítulos,
escritos segundo um plano previamente estabelecido. Foi surgindo
aos poucos, através dos séculos, e é obra
de muitos autores. Sendo assim, chamamos "livros"
as principais unidades que formam a Bíblia. Mal comparando,
poderíamos dizer que a Bíblia é uma biblioteca,
uma coleção de vários livros que formam
um só conjunto. De onde vem esse nome "Bíblia?
Esse nome é simplesmente a adaptação de
uma palavra da língua grega: "Biblos", que
significava "papiro", "livro. A Bíblia
é, pois, "O LIVRO", o primeiro, o mais importante
de todos. Como surgiu o Antigo Testamento?. Para responder,
precisamos ver antes alguma coisa da história do povo
que escreveu essa parte da Bíblia. Vamos traçar
uma história bem reduzida de muitos séculos.
Os Judeu
No Antigo Testamento, podemos ter a impressão
de estarmos diante de uma "História do Povo Judeu.
Isso é verdade, contanto que não interpretemos
mal a palavra " História", que hoje em dia,
para nós, significa um relato exato do que aconteceu,
com as datas e os lugares exatos. Se alguém tentasse
interpretar assim a Bíblia, iria procurar, por exemplo,
estabelecer datas exatas para a criação do mundo,
o dilúvio, o nascimento de Abraão, a saída
da escravidão do Egito. Isso não seria possível,
porque a Bíblia não está interessada na
data exata dos fatos. Está interessada é em nos
fazer compreender o sentido dos acontecimentos, como eles se
encaixam no plano que Deus formou para a nossa salvação.
A Bíblia não é um
livro científico, isto é, para comprovamento da
ciência, é um livro de Fé. O mesmo se pode
dizer das datas, da duração dos períodos
e das épocas. Diante, por exemplo, da afirmação:
"O mundo foi criado em sete dias" ou "Os judeus
andaram 40 anos pelo deserto", o que nós devemos
perguntar é qual é o significado dos sete dias
da criação e dos quarenta anos no deserto. Mas,
por outro lado, é interessante notar que as descobertas
modernas sobre a vida dos povos que antigamente viviam naquela
região confirmam plenamente as indicações
da Bíblia sobre antigos costumes e tradições.
Confirmam também muitas indicações sobre
lugares e acontecimentos.
Em 1928, um lavrador estava arando, quando,
de repente, seu arado encontrou uma pedra de sepultura. Um outro,
em 1933, estava cavando uma sepultura e encontrou uma estátua
antiga. Isso levou à descoberta de antigas cidades, com
suas casas que sobraram de civilizações desaparecidas
há muito tempo. Pouco a pouco a ciência arqueológica
(ciência das antigüidades) vai-nos ajudando a ter
um conhecimento bastante grande do passado. Ainda não
sabemos as surpresas que o futuro nos reserva nesse campo.
Muitos cientistas consideravam simples
lendas todas as informações sobre os primeiros
tempos do povo judeu. Principalmente o que a Bíblia conta
sobre os patriarcas, os primeiros antepassados do povo. Atualmente
a situação já é bastante diferente.
A história bíblica dos patriarcas combina perfeitamente
com as informações que atualmente temos sobre
o passado. Se tivesse sido inventada apenas uns mil anos antes
de Cristo, teria sido praticamente impossível imaginar
costumes que correspondessem realmente a costumes de 800 ou
900 anos antes. A única explicação razoável
é que os judeus, como todos os povos antigos, conservavam
fielmente as lembranças do passado que formavam a sua
"história familiar. Justamente porque eram tradições
familiares é que a "história dos patriarcas"
pouco se preocupa com os fatos da história geral. É
antes uma seqüência de pequenos fatos do começo
da família". No Deuteronômio (26,5-10), encontramos
um resumo da história dos patriarcas. Quando os judeus
apresentavam a Deus os primeiros frutos de suas colheitas, deviam
rezar assim: "Meu pai era um arameu (homem da região
de Aram) que estava a ponto de morrer. Desceu para o Egito com
um punhado de gente. Foi viver como estrangeiro naquela terra,
mas tornou-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios
começaram a nos perseguir e nos oprimiam com uma pesada
escravidão. Gritamos então pelo Senhor, o Deus
de nossos pais. Ele ouviu o nosso grito e viu a nossa aflição,
a nossa miséria, a nossa angústia. O Senhor tirou-nos
do Egito (...) e nos trouxe para esta terra onde correm o leite
e o mel".
Os Judeus entraram para a história
1300 anos antes de Cristo, quando estava vivendo ainda no Egito.
E povo se reconhecia como descendente de Abraão, que
tinha nascido mais para o oriente e durante algum tempo tinha
vivido na região de Aram. Os judeus já estavam
no Egito mais ou menos desde o ano 1700 a.C. (a.C.= antes de
Cristo). Isso quer dizer que Abraão viveu lá pelo
ano 1800 a.C. Seus descendentes, Isaac, Jacó e seus filhos,
levavam uma vida semi-nômade, de um lado para o outro,
até que os dois irmãos se fixaram no norte do
Egito. Não sabemos praticamente nada da sua história
durante os 400 anos seguintes. Até lá por 1250
a.C., quando, guiados por Moisés, saíram do Egito.
Durante vários anos, 40 mais ou menos, tiveram no deserto
a experiência religiosa da manifestação
de Deus. A partir de 1200 a.C., começaram a se apossar
da Palestina, a região entre o Mediterrâneo e o
Jordão. Durante todo esse tempo, o povo judeu conservava
cuidadosamente as tradições do passado em seus
cantos, poemas, salmos e narrativas. Conhecia o Deus verdadeiro,
tinha consciência de ser o povo por ele escolhido. Conservava
suas leis e os ensinamentos religiosos eram passados de pais
para filhos. Mas não apenas conservavam a religião
do passado. Iam crescendo em sua vida religiosa, com altos e
baixos, tempos de maior ou de menor fidelidade à aliança
estabelecida com Deus. Continuamente eram ajudados e orientados
por Javé, que lhes enviava homens providenciais. Podemos
admitir que já por essa época muitas tradições
não se transmitiam apenas oralmente, muita coisa já
estaria sendo posta por escrito. Finalmente, lá pelo
ano 1000 a.C., o povo já estava estabilizado na Palestina,
tinha deixado de ser um povo nômade. Começou, então,
a época dos grandes reis. Com isso, elevou-se também
a cultura do povo e a literatura entrou numa fase decisiva.
Pelos fins do décimo século
a.C., começam a ser escritas as narrativas sobre Davi
e Salomão, as primeiras partes dos livros que agora em
nossa Bíblia se chamam 1º e 2º Livros de Samuel,
e o começo do Livro dos Reis. Por esse mesmo tempo é
escrita a história do passado mais próximo, as
narrativas que encontramos nos Livros de Josué e dos
Juízes. Quando a realeza já estava mais organizada,
começaram a se formar os "Arquivos de Estado",
que conservavam a documentação para os escritores
do futuro. Só no século seguinte começaram
a ser escritas as tradições mais antigas sobre
os patriarcas Abraão, lsaac e Jacó, a história
da saída do Egito, os acontecimentos do deserto. Começou
assim a formação dos livros que agora chamamos
de Gênesis, Êxodo, Números.
A partir do ano 800 a.C., temos a época
dos profetas, dos grandes homens enviados por Deus para orientar
o povo, para ajudá-lo a compreender os planos divinos.
As Mensagens dos profetas foram em parte escritas por eles mesmos,
em parte por seus discípulos. Formou-se assim a coleção
dos profetas, essa parte da Bíblia que é uma das
mais ricas e sedutoras.
Entre 700 e 600 a.C., já estavam
por escrito os acontecimentos relativos à conquista da
Palestina e o que aconteceu até o fim da realeza. São
partes dos Livros de Josué, dos Juízes, de Samuel
e dos Reis. Nesse mesmo tempo, começou a ser posto por
escrito o Livro do Deuteronômio, que é uma reapresentação
meditada da Lei Divina.
Apesar da insistência dos Profetas,
o povo não manteve fidelidade a Deus. O grande castigo
chegou em 587 a.C., quando Jerusalém foi destruída
e o povo quase todo foi levado para o cativeiro na Babilônia.
Durante esse tempo de sofrimento, renasceu o espírito
religioso dos judeus. Começaram a refletir sobre tudo
quanto Deus tinha feito por eles. Surgem assim as partes do
Antigo Testamento que se referem principalmente ao culto, ao
serviço divino no templo, à organização
no templo, à organização da comunidade
religiosa voltada para Deus. Quando o povo pôde voltar
para a pátria, começou o último tempo na
história da formação do Antigo Testamento.
Os livros do passado foram reunidos, retocados, completados.
Surgiram em sua forma definitiva os cinco primeiros livros Gênesis,
Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Foram escritos os livros que chamamos de "Sapienciais"
Provérbios, Jó, Eclesiastes, Cântico dos
Cânticos, Eclesiástico. Esses Livros Sapienciais
são o fruto de uma reflexão que procurava levar
à "sabedoria da vida", à compreensão
dos planos de Deus.
Mais tarde surgiram os Livros das Crônicas,
de Tobias, de Ester, de Judite. E com isso já estamos
a apenas uns 300 ou 200 anos antes do nascimento de Jesus. OS
judeus, que antes já tinham tido tantas dificuldades
com os poderosos povos do oriente, tinham agora de enfrentar
a influência dos gregos, depois das conquistas de Alexandre
Magno. Mais ou menos 100 anos a.C. foram escritos os dois Livros
dos Macabeus, que retratam essa época tão difícil
para a fé do povo judeu. Desse mesmo tempo é o
Livro de Daniel, colocado entre os livros dos profetas e Sabedoria.
Depois dessa rápida passagem através
dos séculos, podemos perceber como a Bíblia do
Antigo Testamento foi surgindo aos poucos, foi sendo completada
e retocada. Não podemos imaginar que tenha começado
com a composição do Gênesis e tenha sido
escrita na mesma ordem que encontramos em nossa Bíblia
atual. Sua história é muito mais rica e mostra
de forma grandiosa a ajuda que Deus foi dando ao povo escolhido.
Nessa longa história do nascimento da Bíblia,
aparece mais claramente o poder de Deus. Muito mais claramente
do que se Deus tivesse "ditado" a Bíblia para
Moisés e os outros autores.
Novo Testamento
Jesus tinha-se reunido a comunidade dos
que tinham acreditado nele. Depois da ressurreição,
depois que tinham sido iluminados pelo Espírito Santo,
os discípulos começaram a viver e a propagar a
mensagem cristã. Eles aceitavam as Escrituras Sagradas
que tinham recebido da tradição judaica. Já
agora, porém, iluminados pelo Espírito Santo e
assistidos continuamente pelo Cristo, liam as Escrituras sob
uma nova luz. Temos uma imagem clara dessa situação
nova na passagem de Lucas (24,13-32), que nos conta a aparição
de Jesus aos dois discípulos que iam a caminho de Emaús.
Iam, naquele domingo da ressurreição, conversando
sobre os últimos acontecimentos. Tinham ficado desorientados
com a morte de Jesus e já não sabiam o que pensar.
Disse-lhes, então, Jesus (vers. 25): "Como vocês
demoram a entender e a crer em tudo o que os profetas disseram...
Começou, então, a explicar todas as passagens
das Escrituras Sagradas que falavam dele, começando com
os livros de Moisés e os escritos de todos os profetas".
Aliás, o apóstolo Paulo (2Cor
3,14) diz que somente a aceitação de Jesus pela
fé nos abre os olhos para uma exata compreensão
do Antigo Testamento.
A comunidade cristã, a Igreja, vivia
e anunciava a salvação pela fé em Jesus.
Sua preocupação era conservar fielmente a mensagem
recebida e dar um testemunho sobre os fatos presenciados pelos
apóstolos e discípulos. É o que transparece
nas palavras de Paulo (1Cor 15,3): "O que eu recebi e entreguei
a vocês é o mais importante: que o Cristo morreu
pelos nossos pecados, como está escrito nas Escrituras
Sagradas; que ele foi sepultado e que ressuscitou no terceiro
dia como está escrito nas Escrituras; e que apareceu
a Pedro e depois aos doze apóstolos..." A primeira
preocupação da comunidade não foi escrever
um livro. Foi viver e transmitir uma vida. Isso não diminui
o valor das Escrituras, da Igreja. Ajuda-nos, porém,
a perceber como surgiram e como têm sua compreensão
ligada à compreensão da própria vida da
Igreja.
Inicialmente, pois, a comunidade não
tinha o "Antigo e o Novo Testamentos".
No Novo Testamento, encontramos quatro
divisões mais importantes: Evangelho, Atos dos Apóstolos,
Epístolas, Apocalipse. É bom sabermos logo que
aconteceu também aqui o que já tinha acontecido
com o Antigo Testamento: os livros ou as partes não estão
colocados na ordem em que foram escritos. A ordem atual levou
em conta a importância das partes e também as vantagens
práticas de uma sistematização.
Novo Testamento:
1º) Evangelhos: de Mateus, de Marcos,
de Lucas, de João.
2º) Atos dos Apóstolos.
3º) Epístolas: Em primeiro lugar,
as cartas de Paulo aos Romanos, aos Coríntios, aos Gálatas,
aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, aos Tessalonicenses,
a Timóteo, a Tito, a Filêmon. Depois, a carta aos
Hebreus, as cartas de Tiago, de Pedro, de João e de Judas.
4º) O Apocalipse de João.
A parte mais antiga do Novo Testamento
são as duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses, isto
é: aos cristãos da comunidade de Tessalônica,
uma cidade da Grécia. No capítulo 17(1-10) dos
Atos dos Apóstolos, podemos ler a história das
primeiras conversões nessa cidade. Paulo esteve em Tessalônica
lá pelos meados do ano 5O d.C.(depois de Cristo), quando
estava fazendo a sua segunda viagem missionária. Em 51,
ele mandou sua primeira carta; a segunda é de 52 ou 53.
Com essas duas cartas, começou a formação
do Novo Testamento: as comunidades começaram a colecionar
e a trocar entre si os escritos dos apóstolos. Pelos
anos de 54 ou 55, foi escrita a carta para a igreja de Filipos.
Entre 57 e 58, surgiram as duas cartas para a comunidade de
Corinto e para a dos Gálatas. Possivelmente quando estava
preso em Roma, entre 61 e 63, é que Paulo escreveu as
cartas para os cristãos de Colossos e de Éfeso.
Durante esse mesmo tempo teria escrito a pequena carta a Filêmon,
um cristão cujo escravo tinha fugido e fora convertido
pelo apóstolo. As duas cartas a Timóteo e a carta
mandada para Tito, se foram escritas por Paulo, então
devem ter sido enviadas entre 64 e 67.
Cartas de Pedro, de Tiago e a Epístola
aos Hebreus e a de Judas. Foram escritas, o mais tardar, nos
decênios finais do primeiro século. Não
podemos ter certeza completa sobre seus autores.
O primeiro evangelho a ser escrito foi
provavelmente o de Marcos, antes ainda da destruição
de Jerusalém, acontecida no ano de 70. Segundo a opinião
de vários especialistas, o evangelho de Marcos foi precedido
por uma primeira redação do evangelho de Mateus,
feita em aramaico.Redação essa que depois foi
reelaborada, dando origem à nossa atual edição
grega. Não podemos saber exatamente quando isso aconteceu.
O evangelho de Lucas não temos com
precisão quando foi escrito. Alguns acham que foi antes
do ano 70; outros preferem dizer que os evangelhos de Lucas
e Mateus (o atual) surgiram lá pelo ano 80. Esses três
evangelhos são bastante semelhantes entre si, apresentando
quase os mesmos fatos, quase na mesma ordem. Por isso são
chamados de Evangelhos Sinóticos, isso porque poderiam
ser colocados lado a lado para serem lidos ao mesmo tempo.
Os Atos dos Apóstolos, que narram
os primeiros tempos da Igreja, dando um realce maior às
pessoas de Pedro e de Paulo, são como que uma continuação
do Evangelho de Lucas. Possivelmente esse livro foi escrito
lá pelo ano 80.
A parte mais recente do Novo Testamento,
temos finalmente o evangelho, as cartas e o Apocalipse de João.
Até algum tempo atrás havia escritores que atrasavam
até o século segundo o aparecimento desses livros.
Atualmente, há um certo acordo que marca o aparecimento
desses escritos entre os anos 90 e 100.
Por isso, “toda escritura divinamente inspirada é
útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para
educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e capacitado para toda boa obra” (2Tm 3,16).
Somos o Povo de Deus e esperamos que, um
dia, a verdade e a justiça voltem a ser a marca de toda
a palavra que sai da boca de toda a humanidade. Que a verdade,
a solidariedade, a justiça, a alegria, a ética
e a paz, vivam no coração de todos os que abrem
a Bíblia com Fé.
Colaboração: Diác
Rômulo Guerra