Correntes de oração:
Coisa séria ou um desrespeito?
Em quase todas as igrejas, nos
últimos bancos ou nos pés dos santos, encontramos
as famosas "correntes de oração",
com descrições de prêmios recebidos
ou de castigos sobre quem interrompeu a corrente ou não
fez o número exato de cópias de acordo com
o pedido.
Alguns textos estão
cheios de erros, porque são cópias de tantas
cópias já malfeitas. É admirável
a criatividade de quem monta esses mecanismos para desestabilizar
as pessoas.
O medo do sagrado já assusta muita gente e impressiona
tanto que a pessoa acaba fazendo as cópias e enchendo
a paciência de outro tanto de pessoas. Não querem
que a corrente seja interrompida em suas mãos, nem
analisam o texto, nem percebem que a sua estrutura básica
é igual a outros textos.
Sabemos pela leitura da Bíblia e vendo como Jesus rezava
que esse não é um meio nascido de Deus pelo
qual podemos alcançar uma graça ou o bem-estar
que procuramos. Jesus era tão sereno para rezar; criticou
os fariseus que eram barulhentos em suas práticas religiosas.
Por que usar essa técnica para levar as pessoas a acreditarem
em um Deus bondoso?
Podemos fazer propaganda de uma oração que achamos
bonita ou que foi boa para nós em determinado momento
da vida, mas no fundo a oração acaba tendo sentido
quando é reflexo da vida interior de contato com Deus
em cada pessoa. É positivo ensinar a reza do terço,
o Pai-nosso, a Ave-Maria e outras rezas, contanto que usemos
uma maneira adequada que se aproxime do jeito de Jesus e do
jeito da Igreja.
O medo não nos pode impressionar. Por isso ninguém
deve levar em frente essas correntes de oração.
Pode seguramente queimar ou rasgar, sem levar em conta os
referidos castigos.
Não passem para a frente, porque vai levar confusão
para outros. Essas correntes são frutos da imaginação
doentia de alguns, usando uma boa estratégia de divulgação.
Quase o mesmo poderíamos dizer das orações
poderosas a Santo Antônio, Santo Expedito etc. A oração
até pode ser boa, mas no final aparece o indesejável: fazer um certo número de cópias ou publicar
algumas vezes no jornal como ação de graças
pelo benefício recebido. Não há outro
meio de se mostrar agradecido?
Seria muito melhor se ajudassem as crianças carentes
ou de rua, ajudassem os idosos, os cegos, os doentes ou o
dízimo de sua paróquia. Ninguém está
obrigado a mandar imprimir as cópias ou publicar nos
jornais. Precisamos nos libertar disso e deixarmos de ser
supersticiosos. Essas formas esdrúxulas de fazer divulgação
dos santos ou das coisas de Deus é uma falta de respeito
com as coisas sagradas. Lembramos os antigos que diziam: "As
coisas santas devem ser tratadas santamente".
Rezem muito, sem esse medo que prende as pessoas.
Uma oração que liberta nos coloca em contato
com o Pai que é amor e bondade e na sua presença.
Texto extraído do Livro: Religião também
se aprende - Padre Hélio Libardi (editora Santuário).