13.
A Liturgia
Para ler: Cl 3,16-17; At 2,46-47
e Lc 2,22-32; 4,16-24
A palavra Liturgia significa, originalmente, "obra
pública", "serviço da parte
de/ e em favor do povo". Na tradição
cristã ela quer significar que o povo de
Deus toma parte na "obra de Deus". Pela
liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote,
continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra
de nossa redenção. No Novo Testamento,
"liturgia" é empregada para significar
a celebração do culto divino e o anúncio
do Evangelho e a caridade em ato (Rm 15,16; 15,27;
Fl 2,14-17.25.30; 2Cor 9,12).
A liturgia é tida como o exercício
do sacerdócio de Jesus Cristo, no qual é
significada (por sinais sensíveis) e realizada
a santificação do homem. Também
é nela exercido o culto público integral
pelo Corpo Místico de Cristo, cabeça
e membros.
A celebração litúrgica é
ação sagrada por excelência.
Sua eficácia não é igualada
por nenhuma outra ação da Igreja.
A liturgia realiza e manifesta a Igreja como sinal
visível da comunhão entre Deus e os
homens através de Cristo. Empenha os fiéis
na vida nova da comunidade.
A liturgia tem de ser precedida pela evangelização,
pela fé e pela conversão. Seus frutos,
na vida dos fiéis, são a vida nova
segundo o Espírito, o compromisso com a missão
da Igreja e o serviço da sua unidade.
É na liturgia que, por meio de orações,
símbolos e gestos, dizemos a Deus "eu
vos amo e quero cumprir inteiramente a vossa vontade.
Eu quero vos agradecer por todas as vossas obras"
e dizer ao próximo: "eu amo também
a vocês! Vamos juntos louvar a Deus, pedir-lhe
perdão de nossos pecados, agradecer-lhe por
ter-nos dado a vida, pedir força para seguir
o caminho para o Reino de Deus".
Tudo isso dizemos ao Pai, por meio de Jesus Cristo,
que é representado na liturgia pela pessoa
do padre ou do bispo, e se faz presente na Eucaristia.
A liturgia cristã recorda os acontecimentos
que nos salvaram ( = anamnese), e os atualiza, torna-os
presentes. O mistério pascal de Cristo não
é repetido, mas celebrado. O que se repete
são as celebrações; em cada
uma delas sobrevêm a efusão do Espírito
Santo, que atualiza o único mistério.
A intercessão, na qual o sacerdote suplica
ao Pai que envie o Espírito Santificador
para que as oferendas se tornem o Corpo e o Sangue
de Cristo, e para que ao recebê-los os fiéis
se tornem eles mesmos uma oferenda viva a Deus,
chama-se epíclese (= invocação
sobre).
A epíclese, juntamente com a anamnese, está
no cerne de cada celebração sacramental,
mais especialmente da Eucaristia (não compete
a nós perguntarmos como o pão se converte
no Corpo de Cristo etc., mas apenas nos contentemos
em saber que isso acontece por obra do Espírito
Santo).
Enviado pelo Pai, que ouve a epíclese da
Igreja, o Espírito dá a vida aos que
o acolhem, e constitui para eles, desde já,
o penhor da sua herança e produz os seus
frutos nos ramos, ou seja, a comunhão com
a Santíssima Trindade e comunhão fraterna
entre os irmãos.
A celebração da liturgia pode ser
feita sempre tendo em vista os costumes do local.
Deve expressar Jesus Cristo inculturado (= fazendo
parte) na vida diária das pessoas que estão
louvando, agradecendo e pedindo perdão a
Deus.
Quanto às cores litúrgicas: o verde
é a cor escolhida para os domingos e semanas
do tempo comum, que são 32 a 34, a não
ser naqueles dias em que há uma solenidade
ou festa de algum santo ou alguma comemoração
do Senhor ou de Maria. Começam na 2a feira
depois do Batismo do Senhor, em janeiro, terminam
na terça-feira do carnaval, recomeçam
na segunda-feira depois de Pentecostes até
o domingo de Cristo Rei, no final de novembro.
O branco é usado no tempo do Natal, Tempo
Pascal, festas de Nossa Senhora, de Jesus Cristo
e dos Santos que morreram de morte natural.
O vermelho é usado nas festas do Espírito
Santo, na Sexta-feira Santa, e dos santos que morreram
assassinados por defenderem a fé cristã.
O roxo é usado na quaresma e no advento,
sendo que neste último atualmente também
o rosa é utilizado.
O rosa é usado no 4° domingo da quaresma
e no 3° domingo do advento. As comissões
de liturgia, entretanto, estão aconselhando
a usar o rosa no tempo todo do advento.
Quanto às leituras dominicais, são
distribuídas em três anos, sendo os
Evangelhos distribuídos da seguinte forma:
anos "A", São Mateus; anos "B",
São Marcos; anos "C", São
Lucas. O Evangelho de São João é
usado no tempo pascal e em algumas outras ocasiões.
Quanto às leituras semanais, a primeira leitura
é dividida em dois anos, pares e ímpares,
sendo o Evangelho repetido todos os anos.
Quanto às equipes de liturgia, o melhor
modo de se escolher os leitores é ter uma
equipe fixa, de pessoas que lêem bem. Não
se deve pegar qualquer pessoa "a laço"
na hora da leitura. Apresentar as leituras é
um ministério.
Quanto a algumas outras normas:
- quando o padre tiver de celebrar a missa em pouco
tempo, por qualquer motivo, é melhor cortar
as duas primeiras leituras e o Salmo que disparar
nas palavras;
- Canto de entrada: deve ser de
ritmo alegre, festivo, escolhido de acordo com o
assunto da celebração;
- Glória: há glórias
que não são cantos litúrgicos,
como o "glória, glória, aleluia",
com música de um hino patriótico americano;
- o Canto de meditação não existe mais. Em seu lugar, deve-se cantar
ou rezar o salmo próprio do dia;
- o Canto de aclamação deve ter sempre o "Aleluia", menos na
Quaresma. Deve ser bem curtinho, com somente uma
estrofe, que pode ser a própria antífona
do Evangelho;
- o Canto das oferendas pode ser
ou não cantado. É facultativo. Se
cantado, deve ser de ritmo mais lento. Quando não
for cantado, o padre deve rezar as palavras do ofertório
em voz alta, com a participação do
povo;
- o Santo deve ser vibrante; não
pode ser arrastado;
- a Consagração sempre
é feita em silêncio, sem aquelas famosas
músicas de acompanhamento e sem palavras
em voz alta por parte do povo, como "meu Senhor
e meu Deus", "Jesus" ou algo parecido;
- o Abraço da paz deve
ser o canto mais curto da missa. Apenas uma alusão
ao abraço e à paz. Pode ser dado em
outra oportunidade, como após o ato penitenciai,
em vez do momento usual, ou seja, antes do Cordeiro;
- Comunhão: é um
canto para se cantar andando;
- Após a Comunhão: há muitas opiniões contrárias,
mas deveria ser um canto mais suave, para se orar
interiormente.
Há ainda outros problemas e questões,
que poderão ser resolvidos pelo seu pároco.
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