14.
Os Sacramentos
Introdução
Toda a vida litúrgica da Igreja está
em função do Sacrifício Eucarístico
e dos sacramentos que são o Batismo, a Confirmação,
a Eucaristia, a Penitência, a Unção
dos Enfermos, a Ordem, o Matrimónio. Como
forças que saem do corpo de Cristo, sempre
vivo e vivificante, ações do Espírito
Santo em operação no seu Corpo que
é a Igreja, os sacramentos são as
obras-primas de Deus na Nova e Eterna Aliança.
Foram instituídos por nosso Senhor Jesus
Cristo. O sacramento não é realizado
pela justiça do homem que o confere ou o
recebe, mas pelo poder de Deus. Não depende
da santidade do ministro. Os frutos do sacramento,
entretanto, dependem também das disposições
de quem os recebe.
Os celebrantes da Liturgia Sacramental, graças
ao sacerdócio comum dos leigos, são
toda a comunidade, o corpo de Cristo unido à
sua Cabeça; é o povo santo, unido
e ordenado sob a direção dos bispos.
Não tem muito sentido a celebração
individual ou quase privada. Certos membros da comunidade
são escolhidos e consagrados pelo sacramento
da ordem, através do qual o Espírito
Santo os torna aptos a agir na pessoa de Cristo-Cabeça
para o serviço de todos os membros da Igreja.
E, uma vez que o sacramento da Igreja manifesta-se
plenamente na Eucaristia, é na presidência
da Eucaristia que o ministério do Bispo aparece
primeiro, e, em comunhão com ele, o dos presbíteros
e diáconos. Há também outros
ministérios particulares, não consagrados
pelo sacramento da ordem: os ajudantes, os leitores,
os comentaristas e os membros do coral, que desempenham
um verdadeiro ministério litúrgico.
Quanto ao "como" celebrar os sacramentos,
é preciso lembrar que na vida humana os sinais
e símbolos ocupam um lugar importante, por
ser o homem ao mesmo tempo um ser corporal e espiritual.
Um ser social que precisa de sinais e símbolos
para comunicar-se com os outros através de
linguagem, gestos, ações, assim como
para comunicar-se com Deus.
Deus fala ao homem através da criação
visível: luz, noite, vento, fogo, água,
terra, árvore, frutos. Da mesma forma lavar
e ungir, partir o pão e partilhar o cálice
podem exprimir a presença santificante de
Deus e a gratidão do homem diante de seu
criador.
A Igreja vê nos sinais da aliança:
circuncisão, unção e consagração
dos reis e dos sacerdotes, imposição
das mãos, sacrifícios, páscoa,
uma prefiguração dos sacramentos da
Nova Aliança.
Na sua pregação, o Senhor Jesus serve-se
muitas vezes dos sinais da criação
para dar a conhecer os mistérios do Reino
de Deus; realiza suas curas ou sublinha sua pregação
com sinais materiais ou gestos simbólicos.
Dá um sentido novo aos fatos e aos sinais
da Antiga Aliança, particularmente ao Êxodo
e à Páscoa, por ser ele mesmo o sentido
de todos esses sinais.
Desde Pentecostes, é através dos
sinais sacramentais que o Espírito Santo
realiza a santificação. Os sacramentos
da Igreja não anulam, mas purificam e integram
toda a riqueza dos sinais e dos símbolos
do cosmos e da vida social. Além disso, realizam
os tipos e as figuras da Antiga Aliança,
significam e realizam a salvação operada
por Cristo, e prefiguram e antecipam a glória
do céu.
A celebração sacramental, encontro
dos filhos de Deus com seu Pai, em Cristo e no Espírito
Santo, exprime-se como um diálogo, mediante
ações e palavras, mesmo que as ações
simbólicas sejam em si mesmas uma linguagem.
A Palavra de Deus e a resposta de fé acompanham
e vivificam essas ações, para que
a semente do Reino produza seu fruto na terra fértil.
As ações litúrgicas significam
o que a Palavra de Deus exprime: a iniciativa gratuita
de Deus e ao mesmo tempo a resposta de fé
do seu povo.
A liturgia da palavra é parte integrante
das celebrações sacramentais, e leva
a uma valorização necessária
do livro da palavra (lecionário), sua veneração
(procissão, incenso, luz), o lugar de onde
é anunciado (ambão), sua leitura audível
e inteligível, a homilia do ministro, que
prolonga sua proclamação, as respostas
da assembleia (aclamações, salmos
responsoriais, ladainhas, profissão de fé
etc.).
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