19.
Os Sacramentos de Cura
A Penitência ou Reconciliação
Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência
obtêm da misericórdia divina o perdão
da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são
reconciliados com a Igreja que feriram pecando,
e a qual colabora para sua conversão com
caridade, exemplo e orações.
Esse sacramento chama-se:
1. sacramento da Conversão (caminho de volta
ao Pai);
2. da Penitência (esforço de conversão,
de arrependimento e de satisfação
por parte do cristão pecador);
3. da Confissão, porque a declaração,
a confissão dos pecados diante do sacerdote
é um elemento essencial desse sacramento,
além da confissão que se faz da santidade
de Deus e de sua misericórdia para com o
homem pecador;
4. do Perdão, porque, pela absolvição
sacramental do sacerdote, Deus concede "o perdão
e a paz";
5. da Reconciliação: porque dá
ao pecador o amor de Deus que reconcilia. Quem vive
do amor misericordioso de Deus está pronto
a responder ao apelo do Senhor: "Vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão" (Mt 5,24).
A Confissão é necessária porque
Jesus nos convida à conversão. A primeira
e fundamental conversão é selada com
o Batismo. A segunda conversão é uma
tarefa ininterrupta para toda a Igreja, e Cristo
nos convida pela vida toda a realizá-la.
Santo Ambrósio diz que na Igreja existem
a água e as lágrimas: a água
do Batismo e as lágrimas da Penitência.
Sem a penitência interior, entretanto, as
obras de penitência externas são estéreis,
vazias e enganadoras. A penitência interior
é uma reorientação radical
de toda a vida, um retorno, uma conversão
para Deus de todo nosso coração, uma
ruptura com o pecado, uma aversão ao mal
e repugnância às más obras que
cometemos. É também o desejo e a resolução
de mudar de vida com a esperança da misericórdia
divina e a confiança na ajuda de sua graça.
A conversão é, antes de tudo, uma
obra da graça de Deus que reconduz nossos
corações a ele. É descobrindo
a grandeza do amor de Deus que nosso coração
experimenta o horror e o peso do pecado e começa
a ter medo de ofender a Deus pelo mesmo pecado,
e ser separado dele.
Somente Deus perdoa os pecados, mas confiou o exercício
do poder de absolvição ao ministério
apostólico (bispos e padres). Conferindo
aos apóstolos seu próprio poder de
perdoar os pecados, o Senhor também lhes
dá a autoridade de reconciliar os pecadores
com a Igreja.
A reconciliação com a Igreja é
inseparável da reconciliação
com Deus. O sacramento da Penitência foi instituído
por Jesus para aqueles que, depois do Batismo, cometeram
pecado grave e com isso perderam a graça
batismal e feriram a comunhão eclesial. É
uma nova possibilidade de converter-se e de recobrar
a graça da justificação.
Há cinco condições para se
fazer uma boa confissão:
l. Examinar a consciência, a fim de descobrir
os pecados cometidos;
2. Arrepender-se dos pecados cometidos, ou seja,
querer não cometê-los mais;
3. Propor não pecar mais. Sem esse propósito,
a confissão fica nula.
4. Confessar os pecados ao padre. Somente se é
obrigado a confessar os pecados graves, mas é
aconselhável confessar todos, tanto os graves
como os leves.
5. Cumprir a penitência que o padre determinar.
A Igreja pede que o fiel se confesse ao menos uma
vez por ano.
As graças que o sacramento da Penitência
e Reconciliação nos oferece são:
a reconciliação com Deus, pela qual
o penitente recobra a graça; a reconciliação
com a Igreja; a remissão da pena eterna devida
aos pecados mortais; a remissão, pelo menos
em parte, das penas temporais, sequelas do pecado;
a paz e a serenidade da consciência, e a consolação
espiritual; o acréscimo de forças
espirituais para o combate cristão.
A confissão individual e integral dos pecados
graves, seguida da absolvição, continua
sendo o único meio ordinário de reconciliação
com Deus e com a Igreja.
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