História
e simbolismo
Comentando
fatos ocorridos com o povo eleito e narrados no Velho
Testamento, diz S. Paulo que “essas coisas aconteciam
em figura, e foram escritas para advertência
de nós outros (1 Cor. 10, 11)”, nos Padres
da Igreja lê-se que Jesus ora pregava com palavras
ora com fatos e às vezes estes ilustravam aquelas.
Semelhante norma de procedimento
dá-nos a compreensão exata do fato histórico
da visita dos Magos ao presépio de Belém,
celebrado na festa da Epifania em 6 de janeiro.
Com efeito, a visita dos
Reis Magos ao Menino Jesus, recém nascido,
insere-se no Evangelho da Infância do Senhor
como uma pérola encastoada em metal precioso.
Não tem vinculação nenhuma com
os antecedentes do nascimento do Salvador. Nada consta
também de relações especiais
desses sábios do Oriente nem sequer com Jerusalém
a Capital do Reino de Israel. Foi preciso que uma
estrela os guiasse para acertarem o caminho, pois
sua astrologia não era tanta que lhes indicasse
qual seu itinerário.
No entanto, essa mesma singularidade
tem sua razão de ser. Envolve uma advertência.
Fixa na mente do fiel a universidade da Redenção.
Jesus Cristo veio para salvar a todos. Rompeu com
o particularismo do povo judaico, e abriu as portas
de seu reino a todas as raças, simbolizadas
nos representantes de todas elas, que tais eram os
Magos segundo velha tradição: Baltazar,
preto, Gaspar jovem e ruivo e Melchior idoso de cabelos
grisalhos o mais europeu deles. Os três representavam
as três raças em que então se
distribuía a humanidade: os camitas, os semitas
e os jafetitas.
Simbologia parecida destaca
a Tradição nos presentes dos Magos:
Ouro, incenso e mirra: Ouro, porque o Menino era Rei,
incenso porque era Deus e mirra porque homem de carne
mortal.
Por isso mesmo que encerra
tão alto e importante significado a visita
dos Magos ao Presépio é parte indispensável
da Liturgia e iconografia cristãs. Em Colônia,
na Alemanha, sobressai na cidade, a importante Catedral
Gótica dedicada aos Santos Reis Magos que dóceis
à moção da Graça, foram
os primeiros pagãos a reconhecer o Deus Salvador
do Mundo.
À imitação
dos Magos, saibamos encontrar o caminho da Providência
na urdidura dos acontecimentos humanos.
+(a) Dom Antonio
de Castro Mayer |