Espiritualidade
do Advento
Toda a liturgia do Advento
é apelo para se viver alguns comportamentos
essenciais do cristão : a expectativa vigilante
e alegre, a esperança, a conversão,
a pobreza. Somente na vivência profunda destes
elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido
profundo em nossa vida e não uma simples lembrança
histórica.
1) A expectativa vigilante
e alegre caracteriza sempre o cristão e a
Igreja, porque o Deus da revelação
e o Deus da promessa, , que manifestou em Cristo
toda sua fidelidade ao homem.Em toda a liturgia
do Advento ressoam as promessas de Deus, principalmente
pela voz de Isaías, que reaviva a esperança
de Israel.
A esperança da Igreja, portanto a nossa esperança,
é a mesma de Israel , mas já realizada
em Cristo. O olhar da comunidade , fixa-se com esperança
mais segura no comprimento final, a vinda gloriosa
do Senhor: "Maranatha: vem ,Senhor Jesus".
É o grito e o suspiro de toda Igreja e de
cada um de nós, em seu peregrinar terreno
ao encontro definitivo do Senhor.
A expectativa vigilante é acompanhada sempre
pelo convite à alegria. O Advento é
tempo de expectativa alegre porque aquilo que se
espera certamente acontecerá. Deus é
fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria
que a liturgia não só relembra , mas
quer que seja vivida por cada um de nós.
2) No Advento, toda a Igreja
vive sua grande esperança. O Deus da revelação
de Jesus tem um nome: "Deus da esperança"
(Rm 15,13). Não é o único nome
do Deus vivo, mas um nome que o identifica como
"Deus para nós e conosco". Este
tempo deve ser para nós, e todos precisamos,um
tempo de grande educação à
esperança: uma esperança forte e paciente;
uma esperança que aceita a hora da provação,
da perseguição e da lentidão
no desenvolvimento do reino; uma esperança
que confia no Senhor e nos liberta das nossas muitas
impaciências.
Esse empenho da Igreja torna-se mais forte e urgente
diante das grandes áreas vazias de esperança,
que se registram no mundo contemporâneo, inclusive
no nosso Brasil. A geografia do desespero é
maior e mais terrível do que a geografia
da fome e é expressão aterradora do
avanço de anti-humanismos destruidores, como
a droga e a violência.
3) Advento, tempo de conversão.
Não existe possibilidade de esperança
e de alegria sem retornar ao Senhor de todo o coração,
na expectativa da sua volta. A vigilância
requer luta contra o torpor e a negligência;
requer prontidão, e portanto,desapego dos
prazeres e bens terrenos (cf. Lc 21,34 ss).
Os comportamentos fundamentais do cristão
exigidos pelo espírito do Advento, estão
intimamente unidos entre si, de modo que não
é possível viver a expectativa, a
esperança e a alegria pela vinda do Senhor,
sem uma profunda conversão. Por outro lado,como
as tentações da vida presente antecipam
a tribulação escatológica,
a vigilância cristã exige um treinamento
diário na luta contra o maligno; exige sobriedade
e oração contínua: "sejam
sóbrios e fiquem de prontidão"
(1 Pd 5,8-9).
4) Enfim, um comportamento
que caracteriza a espiritualidade do Advento é
o do pobre. Não tanto o pobre em sentido
econômico, mas o pobre entendido em sentido
bíblico: aquele que confia em Deus e apóia-se
totalmente nele. Estes anawîm, como os chama
a bíblia, são os mansos e humildes,
porque as suas disposições fundamentais
são a humildade, o temor de Deus, a fé.
Jesus proclamará felizes os pobres e neles
reconhecerá os herdeiros do Reino,e ele mesmo
será um pobre. Maria, a mulher do advento,
emerge como modelo dos pobres do Senhor, que esperam
as promessas de Deus, confiam nele e estão
disponíveis à atuação
do plano de Deus. Não nos esqueçamos
que a pobreza do coração, essencial
para entrar no Reino, não exclui, mas exige
a pobreza efetiva, a renúncia em colocar
a própria confiança nos bens terrenos.
Vivendo assim este "
tempo de graça" que a Igreja nos oferece,
o Natal do Senhor de 2002 terá um novo sentido
em nossa vida espiritual.
Padre Gian Luigi
Morgano |