A
estrela da noite de Natal
As estrelas sempre foram guias confiáveis
do homem na sua trajetória pelo mundo. Durante
séculos elas foram a segurança do homem
no seu caminho na Terra. Os homens passaram pêlos
caminhos escuros da noite e durante milhares de anos
as estrelas mostraram-lhes o caminho. Viajantes e
navegantes, enquanto ficaram com os olhos fixos nas
estrelas, foram conduzidos com firmeza e segurança.
O homem foi capaz de seguir um caminho seguro, porque,
em certo sentido, ele fez aliança com uma realidade
maior.
Hoje sabemos que as estrelas não são
eternas. Não se pode dizer que elas têm
um caminho para o ser humano. Estrelas são
oxigênio, gases, pó, átomos, pedras,
fogo. Provavelmente explodirão qualquer dia
e sobrará somente um buraco negro. Durante
o dia o sol brilha tanto que não é possível
enxergar as estrelas. Isso não quer dizer que
elas não estão ali, só que os
nossos olhos não tem condições
de enxergá-las. E hoje em dia na cidade produzimos
tantas outras luzes que à noite também
não enxergamos mais nada. Será que isso
quer dizer que as estrelas não são mais
confiáveis, e que terminaram as histórias
das estrelas?
A estrela de Belém de outrora conduziu os
sábios e todos que procuravam com toda a sinceridade
a história mais vislumbrante que conhecemos
até agora. A história de uma mulher,
jovem e muito graciosa, a mais bela de toda a terra,
de uma criancinha que sustenta a fé, a esperança
e o amor de toda humanidade, dos pastores do campo,
dos anjos e seus cânticos, dos reis e outros.
É entoado, então, o cântico mais
bonito de todos os tempos, e quando os homens o cantam,
até os olhos de Deus se enchem de lágrimas:
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos
homens de boa vontade.
Queria que a estrela da noite de Natal brilhasse
para todo mundo: para os pobres, para os doentes,
para os que se sentem sós, para os idosos,
para aqueles que vivem na insegurança, para
os pais preocupados com seus filhos, para aqueles
que sempre estão viajando pelas estradas da
vida sem encontrar nunca uma casa, a sua casa.
A estrela de Belém hoje é invisível,
mas ela mostrou uma nova luz, a verdadeira luz, Jesus
que nasceu em Belém. Ali a estrela desapareceu
porque uma outra luz se sobrepôs à sua,
a luz de Jesus Cristo; ali a sua missão terminou,
mostrando a verdadeira luz. Na noite de Natal recebemos
aquele que diz que é "a luz do mundo".
Desde aquela noite, Jesus é a bússola
de todos os navegantes do mundo de todos os tempos.
Ele brilha sobre todos os tempos e distâncias,
sobre a vida e a morte.
Quando permitimos que esta estrela nos guie, temos
consciência de que a terra é o caminho
temporário que nos leva à morada definitiva
da luz divina. Sabemos, então, que nunca estamos
sós como parece às vezes, sabemos que
os nossos falecidos não estão tão
longe. Esta luz nos mostra que a vontade de Deus para
nos salvar e a luz de sua misericórdia são
o caminho que nos mostram a pátria onde um
dia estaremos juntos para sempre no amor. A estrela
nos leva até o fundamento da nossa fé.
A criança que nasceu na noite de Natal é
Deus conosco, que fez morada entre nós. A verdadeira
alegria do Natal dos cristãos é a consciência
de que cada opção a favor ou contra
Deus, a opção entre o bem e o mal, entre
a reconciliação e o ódio, a vida
e a morte é a nossa participação
e a nossa missão e responsabilidade como pequenas
estrelinhas, que mostram hoje o caminho do amor, da
fraternidade e da solidariedade rumo a Deus.
PADRE PAULO HAENRAETS
é pároco da Paróquia São
Judas Tadeu, em Piracicaba |