Natal
de Jesus - Natal de Maria - Nosso Natal
Denominação de uma festa religiosa
específica da comemoração do
nascimento de Jesus, o Natal transforma-se, freqüentemente,
em uma variedade de festejos onde há lugar
para tudo, menos para o aniversariante. Luzes, presentes,
ceias fartas e um substituto, um velho de roupas
estranhas, chamado "Papai Noel".
É verdade que muitos ainda procuram ir à
"missa do galo" e fazem até um
presépio em seus lares. Mas poucos compreendem
toda a grandiosidade dessa representação.
O Natal de Jesus
O nascimento de Jesus na "Manjedoura"
de Belém é a realização
mais sublime do amor que Deus nos tem, como nos
lembra o próprio Salvador: "Deus tanto
amou o mundo que nos deu o seu próprio Filho"
(Jo 3,16). E São João reafirma: "Foi
assim que o amor de Deus se manifestou entre nós:
Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para
que tenhamos vida por meio dele" (1 Jo 4,9).
É a proclamação da Nova Aliança
de Deus com o seu povo, como Jesus nos lembra:"Não
quiseste sacrifícios nem oblações,
mas me preparaste um corpo" (Hb 10,5). E São
Paulo sublinha:''Quando chegou a plenitude dos tempos,
Deus enviou o seu próprio Filho, nascido
de uma mulher" (Gl 4,4).
No Natal de Cristo "surge para toda a humanidade
a esperança da verdadeira vida e felicidade
porque a chave, o centro e o fim de toda a história
humana se encontra no seu Senhor e Mestre"
(GS 10) que agora faz parte da nossa história.
Natal de Maria
Nos desígnios de Deus o Natal de Jesus
tem, para Maria, uma significação
única. "A bem-aventurada Virgem, predestinada,
desde toda a eternidade, junto com a encarnação
do Verbo divino, para ser Mãe de Deus, foi
na terra, por disposição da divina
Providência, a Mãe do Redentor divino,
mais que ninguém sua companheira generosa
e a humilde escrava do Senhor" (LG 61).
Toda mãe, no nascimento de um filho, sente
uma grande alegria por haver nascido um homem no
mundo (Jo 16,21). Maria, no entanto, sabia que aquela
criança deitada nas palhas da manjedoura,
seu filho, era o "Filho do Altíssimo"
(Lc 1,32).
No seu íntimo se misturavam, como num só
sentimento, o amor de mãe e a adoração
da humilde serva. Santo Agostinho comenta: "Jesus
veio por meio de uma mulher que foi sua mãe,
Ele que é Deus e Senhor do céu e da
terra.
Enquanto Senhor do mundo, Senhor do céu e
da terra, é certamente Senhor também
de Maria; enquanto Criador do céu e da terra,
é Criador também de Maria. Mas, enquanto
gerado de uma mulher, é filho de Maria"
(S.Agost. Com. Ao Evang. de João 8,9).
No Natal se demonstra a excepcional grandeza de
Maria, pois só Ela pode dizer a Jesus o que
o Pai lhe diz desde toda a eternidade:"Tu és
meu filho"(Hb 1,5).
O Nosso Natal
Mas, em seu olhar de fé, Maria via mais
longe. Sabia que esse filho fora enviado por Deus
para "salvar o povo de seus pecados" (Mt
1,21); que deveria ser o "primogênito
entre muitos irmãos" (Rm 8,29 Cf. Cl
1,15; Apo 1.5).
Por isso, ao abraçá-lo e beijá-lo,
sente-se mãe solícita que deverá
acompanhar carinhosamente "todos os irmãos
de seu Filho que ainda peregrinam rodeados de perigos
e dificuldades, até que sejam conduzidos
à feliz Pátria" (LG 62).
Por isso, o Natal de Cristo e de Maria é
também o nosso Natal, a comemoração
de nosso nascimento em Cristo e por Cristo. E no
nosso Natal, como no de Cristo, é indispensável
a presença de Maria.
Dom Mario Teixeira
Gurgel - SDS
Fonte: Revista de Aparecida |