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Tempo Litúrgico
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O significado da celebração dos cinqüenta dias pascais

A Igreja nasce no ato do sacrifício pascal de Cristo , mas somente cinqüenta dias após a ressurreição o Espírito Santo é dado à primeira comunidade cristã reunida em assembléia. Esse tempo é de fundamental importância para os apóstolos, chamados a serem o fundamento da Igreja .

Para responder a essa sua vocação , eles tiveram que percorrer um itinerário de vida de fé, para adquirir plena consciência do novo modo de presença de Jesus ressuscitado no meio deles para compreender que o Reino, mesmo não sendo deste mundo, deve ser construído no mundo, segundo o claro mandamento do Senhor. Nestes cinqüenta dias, Jesus educa os apóstolos com varias aparições, para que compreendam os novos sinais da sua ação no mundo; os apóstolos experimentam novas praticas no exercício da fé e são sempre tentados à incredulidade, até o dia em que serão investidos com a força do Espírito Santo. Então, testemunharão diante do mundo a fidelidade ao evangelho, inclusive com o próprio sangue.

Pastoralmente, também hoje este “bem – aventurado Pentecostes” como é chamado pela tradição litúrgica , deve constituir para nós um tempo de aprofundamento da fé e dos sinais da fé. Eis o verdadeiro significado do Tempo Pascal, que deve ser valorizado responsavelmente sob o ponto de vista espiritual e pastoral: um tirocínio e uma experiência da nova condição na qual o mistério pascal, com seu fruto, que é o dom do Espírito Santo, introduz a comunidade cristã.

Ph.Ruillard diz: “O Tempo pascal não é apenas um período constelado de Aleluia, no qual a liturgia desenvolve mais profundamente os temas do mistério pascal; é um tempo diferente dos outros, como um dia celeste, um dia de eternidade, inserido na trama do tempo terreno; e, durante este dia celeste (cuja duração é de cinqüenta dias terrenos), a Igreja faz a experiência, nos limites do possível, da vida eterna, da vida glorificada, na qual já penetrou o homem chamado Jesus,conservando escancarada a sua porta”.

Quem entra conscientemente na compreensão da sacramentalidade do Tempo Pascal compreende também por que este período é o “laetissimum spatium”, (tempo de muitíssima alegria) como o chamava Tertuliano. Pois, a Páscoa não é celebrada teoricamente e de maneira conceitual, mas sacramentalmente, mediante os sinais memoriais nos quais Cristo, nossa Páscoa, assume, purifica e transforma a nossa existência com a sua graça.

Cada domingo de Páscoa deve ser um convite para dar uma nova face às assembléias que celebram numa forte experiência de vida de fé e de viva comunhão eclesial.

Ao impostar uma autentica Vida cristã pascal, encontramos uma cadeia inquebrável, da qual não se pode romper nenhum anel:

centro absoluto : a Páscoa histórica de Cristo;

da Páscoa histórica à Páscoa sacramental (batismo,crisma, eucaristia);

da Páscoa sacramental à Páscoa vivida,à Páscoa moral;

da Páscoa moral à Páscoa escatológica.


Padre Gian Luigi Morgano