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Domingo de Pentecostes .
(Conclusão do Tempo Pascal)

O prefácio da Ascensão exprime bem o significado destes dias de espera da vinda do Espírito Santo.

O embolismo diz: “Tendo entrado uma vez por todas no santuário dos céus, Jesus intercede por nós, como mediador e senhor da perene efusão do Espírito Santo. Pastor e bispo das nossas almas, convida-nos à oração unânime, no exemplo de Maria e dos apóstolos, à espera de um novo Pentecostes”. O trabalho de revisão, ao qual foram submetidos os textos da celebração do domingo de Pentecostes, foi consistente. Com a escolha de muitos textos novos, tanto bíblicos como eucológicos, uma genérica temática sobre o Espírito Santo foi substituída por uma temática que evidencia o evento salvífico da efusão do Espírito Santo, com a qual se encerra a grande celebração dos cinqüenta dias do paschale sacramentum.

À luz de uma breve análise dos textos bíblicos e eucológicos do domingo de Pentecostes, emergem alguns traços fundamentais da celebração, baseados no fato de que o Pentecostes cristão não é festa do Espírito Santo, entendido como Pessoa divina em si mesma, mas é celebração de um acontecimento de salvação, isto é, de uma das intervenções de Deus que, na realização do plano da salvação, decide de modo único e definitivo a sorte do mundo. Este evento consiste sobretudo no dom do Espírito Santo.

O sentido de Pentecostes como acontecimento de salvação, é dado pelos seguintes aspectos:

Efusão do Espírito Santo, sinal dos últimos tempos. Pedro cita o profeta Joel, mostrando como o Pentecostes realiza as promessas de Deus, segundo as quais, nos últimos tempos, o Espírito seria dado a todos (cf.Ez 36,27).

Coroamento da Páscoa de Cristo. A catequese primitiva colocava em relevo que Cristo morto, ressuscitado e glorificado à direita do Pai leva a cabo a obra de salvação efundindo o Espírito sobre a comunidade apostólica. O Pentecostes é, portanto, a plenitude da Páscoa, o mistério pascal total.

Reunião da comunidade messiânica. Em Jerusalém, o Pentecostes realiza a unidade dos judeus e dos prosélitos de todas as nações; dóceis ao ensinamento dos apóstolos, eles participam, na comunhão fraterna, da mesa eucarística e da oração em comum.

Comunidade aberta a todos os povos. O Espírito Santo é entregue para que surja um testemunho que deve ser levado até as extremidades da terra. O fato de que pessoas de diversas línguas compreendam a língua na qual falam os apóstolos mostra que a primeira comunidade messiânica se estenderá a todos os povos. O Pentecostes dos pagãos demonstrará isso.(cf. At 10,44 ss). A divisão que aconteceu em Babel (Gn 11,1-9) encontra aqui a sua síntese e o seu termo positivo. O milagre de Pentecostes é, por isso, a resposta divina à confusão e à dispersão.

Partida para missão. O Pentecostes reúne a comunidade messiânica e marca o ponto de partida da sua missão. O discurso de Pedro “em pé, com os onze”, é o primeiro ato da missão confiada por Jesus aos apóstolos: “vocês receberão uma força, o Espírito Santo... para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra”(At 1,8).

O sentido do acontecimento pentecostal é sublinhado por um duplo milagre:

Os apóstolos, repletos do Espírito Santo, cantam as maravilhas de Deus, exprimindo-se em “línguas”, forma carismática de oração, comum nas primeiras comunidades cristãs .

Este “falar línguas”, mesmo que não seja inteligível, no Pentecostes é compreendido pelas pessoas presentes, provindas das mais diferentes regiões: é um sinal da vocação universal da Igreja


Padre Gian Luigi Morgano