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O Espírito Santo na liturgia

(As epicleses litúrgicas)

Quando na celebração litúrgica o Espírito Santo encontra a resposta da fé, realiza-se uma verdadeira cooperação entre o fiel e o divino Paráclito.E o ato litúrgico se torna obra comum do Espírito Santo e da Igreja .Na liturgia o Espírito Santo é o pedagogo da fé do povo de Deus, o artífice de suas obras-primas: os Sacramentos da Nova Aliança.

O desejo e a obra do Espírito Santo no coração da Igreja é que vivamos da vida de Cristo glorificado.Sentado á direita do Pai e derramando o Espírito Santo no seu Corpo que é a Igreja , o Senhor glorificado age agora pelos sacramentos, instituídos por ele precisamente para comunicar sua graça. Como sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual, realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo.

Na constituição sobre a Liturgia (n.6) o Concílio Vaticano II ensina:

Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, da mesma forma enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem o Evangelho a toda criatura, anunciarem que o Filho de Deus , pela sua Morte e Ressurreição , nos libertou do poder de Satanás e da morte e nos transferiu para o Reino do Pai, mas ainda para levarem a efeito o que anunciavam : a obra da salvação através do Sacrifício e dos Sacramentos, em torno dos quais gravita toda a vida litúrgica.

Desta maneira, ao dar aos Apóstolos o Espírito Santo, Cristo confiou-lhes seu poder de santificação: com o poder e a constante e generosa ajuda do Espírito Santo, eles se tornam verdadeiramente instrumentos sacramentais do ministério sacerdotal de Jesus Cristo, o único e verdadeiro Sacerdote e Mediador da Nova Aliança.

Na liturgia o Espírito Santo é então a memória viva da Igreja :


“Ele vos recordará tudo” (cf. Jo 14,26).

A liturgia cristã não somente faz memória dos acontecimentos que nos salvaram, mas também os atualiza e torna presentes. O mistério pascal de Cristo é celebrado, não apenas repetido. As celebrações se repetem, mas em cada uma delas sobrevém a efusão do Espírito Santo que atualiza o único mistério (cf.CIC 1104).

Para isso a Liturgia tem suas invocações especiais chamadas epiclese,do verbo grego epi-kkléo = invocar. Assim, por exemplo, na Oração Eucarística (Cânon III) a Igreja faz esta invocação:

Por isso, nós vos suplicamos: santificai pelo Espírito Santo as oferendas que vos apresentamos para serem consagradas, a fim de que se tornem para nós o Corpo e o sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, que nos mandou celebrar este mistério.

Juntamente com a anamnese, palavra grega que significa comemoração, recordação ou memória, a epiclese está no centro de cada celebração sacramental, mais especialmente na Eucaristia. No n.1106, o Catecismo da Igreja Católica cita S. João Damasceno (século VIII) com este esclarecimento:

Perguntas como o pão se converte no Corpo de Cristo e o vinho em sangue de Cristo . Respondo-te : o Espírito Santo irrompe e realiza aquilo que ultrapassa toda palavra e todo pensamento. Acontenta-te com saber que isso acontece por obra do Espírito Santo, do mesmo modo que, da Santíssima Virgem e pelo mesmo Espírito Santo, o Senhor por si mesmo e em si mesmo assumiu a carne.

E assim, a liturgia nos oferece outras solenes invocações do Espírito Santo na administração dos Sacramentos e até dos Sacramentais.

Padre Gian Luigi Morgano