Paramentos
- Vestes sacerdotais
O
respeito devido a Deus e ao Augusto Sacrifício
da Missa requer vestes particulares à celebração
dos santos mistérios. No Antigo Testamento
as vestes sacerdotais eram minuciosamente prescritas
pelo próprio Deus (cf. Exodo); no Novo Testamento
a santa Igreja prescreveu-as muidamente, desde o tempo
dos Apóstolos.
O amito que o sacerdote
põe sobre a cabeça, e em seguida, em
torno do pescoço, rememora o véu com
que os judeus cobriram a face de Jesus, na casa de
Caifás, dizendo-Lhe: "Adivinha quem te
bateu!"
A alva, vestimenta branca
descendo até os pés, representa a veste
branca com que Herodes revestiu Nosso Senhor Jesus
Cristo.
O cordão ou cíngulo
figura a corda com que Jesus Cristo foi ligado no
jardim da Oliveiras.
O manípulo significa
os laços que Lhe cercaram os braços.
A estola, longa faixa que
o sacerdote traz em redor do pescoço e se cruza
no peito, é imagem das cadeias que prenderam
Jesus Cristo, depois de sua condenação.
A casula representa o manto
de púrpura que os soldados lançaram
sobre os ombros do Senhor, em casa de Pilatos. A cruz,
que se acha na parte posterior, recorda aquela em
que foi pregado, e a tira da parte anterior, a coluna
da flagelação.
A casula, bem como o manípulo,
a estola, a bolsa e o véu do cálice,
variam quanto a cor; pode ser branca, vermelha, verde,
roxa ou preta. Esta diversidade nas cores tem sua
significação. A branca, imagem da luz,
exprime a alegria, a glória, a imortalidade,
e usa-se nas festas do Senhor, fonte de toda luz e
glória; nas festas de Nossa Senhora, mãe
da Luz do mundo, e em honra de sua pureza imaculada;
nas festas dos santos Anjos que habitam a luz eterna;
nas festas dos Santos que não sofreram martírio.
A vermelha significa fogo e sangue, amor de Deus e
do próximo. São desta cor as vestes
sacerdotais nas festas do Espírito Santo; pois
é ele quem acende em nossas almas a chama do
divino amor; também nas festas dos Mártires
que deramaram o sangue por amor de Deus; além
disto nas festas da paixão ou instrumentos
da paixão do Senhor. A verde simboliza a esperança,
o desejo do céu; é a cor própria
do ano eclesiástico. Em conseqüência
do grande número de festas, esta cor quase
só se emprega aos domingos depois da festa
de Pentecostes. A roxa, como sinal de penitência,
é escolhida no tempo do Advento, na Quaresma,
nas Vigílias, e nas Têmporas. A preta
é a cor do luto e usa-se nas Missas pelos defuntos,
na sexta-feira santa, para testemunhar nossa dor de
termos, por nossos crimes, crucificado a Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Tais são as cinco
cores litúrgicas. Possa sua vista excitar em
nossas almas, durante a assitência da santa
Missa, os sentimentos que simbolizam.
O barrete de que o
celebrante se cobre, indo para o altar e voltando
para a a sacristia, indica a dignidade e a autoridade
sacerdotais.
(COCHEM, Martinho
de. Explicação da Santa Missa. 2.
ed. Bahia : Typ. de S. Francisco, 1914. p. 36-38)
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