Quaresma
caminho para a Páscoa
A grande meta
da quaresma é a Páscoa - festa central
do cristianismo, ponto alto do ano litúrgico.
Neste tempo assumimos percorrer com Jesus, o caminho
da provação e da cruz e vamos recebendo
a força e a alegria do seu Espírito
para proclamarmos a vitória da vida, enquanto
lutamos contra todas as forças de violência,
de injustiça e morte que, dolorosamente persistem
no mundo. Cada celebração, deve ser
uma forte experiência desta caminhada pascal,
para que possamos fazer de nossa vida uma páscoa
contínua.
1.
Caminhada catecumenal: A quaresma é,
por excelência , um tempo batismal. A liturgia
da Palavra da quaresma do Ano A (2002) constitui-se
num valioso itinerário de fé e adesão
crescente,consciente e livre, ao projeto de Jesus.
Nos dois primeiros domingos, a liturgia apresenta
Jesus como aquele que vence o mal, e por isso é
glorificado por Deus no Tabor, antes mesmo de Ele
enfrentar a"hora das trevas" e, nos outros
domingos, as grandes "catequeses batismais"de
João ( cap.4, 9 e 11).As primeiras leituras,
com textos do AT narram fatos significativos da História
da Salvação( pecado de Adão,
vocação de Abraão, Moisés
e a água da rocha, Davi e a visão dos
ossos em Ezequiel) e formam um todo catequético
em sintonia com os evangelhos. Com textos de grande
valor teológico das cartas de Paulo, as segundas
leituras também apresentam certa ligação
com as primeiras leituras e os evangelhos.Nossa vida
torna-se , então, uma oferta de louvor, um
sacrifício espiritual que apresentamos continuamente
ao Pai , em união com Jesus, o servo pobre
e sofredor.E, assim, por ele, com ele e nele o Pai
seja louvado e glorificado.
2.
Caminhada de conversão: Mais do que
uma simples preparação da Páscoa
, a quaresma constitui-se um ensaio da vida nova no
Espírito:
tempo de romper com todas
as expressões de mal que existem em nós,
sepultando o "homem velho";
tempo de abrir-nos à
Vida sempre nova que brota da Cruz; tempo de nos tornar
uma nova criatura, revestindo-nos de Jesus Cristo;
tempo de nos converter ao
projeto de Deus, ouvindo e acolhendo sua Palavra,
que nos propõe "buscar primeiro o Reino
de Deus e a sua justiça"(Mt 6,33);
tempo de renovar e reavivar
a opção de nossa fé feita em
nosso batismo, no desejo de um novo recomeço
no seguimento como discípulos do Senhor. Dedicando
mais tempo e densidade à oração
tanto pessoal quanto comunitária fortalecendo
as razões de nossa esperança.
Tomando uma atitude contra
o consumismo, assumimos o jejum do autodomínio
sobre nossa alimentação, nossas palavras,
nossos sentimentos.E, sobretudo, com a prática
do jejum verdadeiro, ou seja, a prática da
justiça e da misericórdia, base da verdadeira
oração, retomamos o compromisso de "volta
ao primeiro amor" (Ap 2,4), na relação
de aliança com Deus.
3.
Conversão para a fraternidade: Como
passo fundamental na caminhada pascal, a dimensão
comunitária da quaresma é assumida por
nós pela 39 Campanha da Fraternidade:"por
uma terra sem males": que sempre nos pede conversão
e solidariedade em situações bem concretas
de nossa realidade. " A solidariedade é
para os povos o que a ternura é para as pessoas"
( D. Pedro Casaldáliga). Este ano, numa busca
de coerência evangélica diante dos 500
anos de evangelização no Brasil , há
pouco celebrados, a Igreja nos convida a colocar a
fraternidade a serviço da vida e da dignidade
dos povos indígenas de quem " nós
podemos também aprender o sentido comunitário
da vida, a valorização da terra como
fonte de recursos e sobrevivência humana, o
estilo de vida sóbria e solidária...
É um convite a todos os cristãos para
engajarem-se na esperançosa luta pela conquista
e garantia dos direitos dos povos indígenas.
É também uma oportunidade para compartilharmos
valores,sabedoria, conhecimentos e formas de ver a
realidade" (cf. Texto base CF/02).
4. Sugestões pastorais para
as equipes de celebração:
Preparar o ambiente da celebração
dentro de certa sobriedade: cor roxa para as vestes
litúrgicas e a ornamentação da
mesa da Palavra e do altar, sem flores e sem o canto
do Glória e do Aleluia, o que não significa
tristeza, mas um "concentrar de energias para
o grande dia". O cartaz da CF/02, poderá
ser ampliado e colocado em lugar de destaque, junto
à cruz. Evitar pregá-lo na estante da
Palavra ou no altar.
A cruz também ganha
destaque e, seria bom, que ela fosse entronizada solenemente,
incensada em cada celebração, ocupasse
um lugar permanente e bem visível durante a
quaresma e, a cada domingo enriquecida com símbolos
ou ações simbólicas ligadas aos
textos bíblicos ou ao tema da CF/02.
Durante a quaresma, o ato
penitencial poderá receber também um
destaque maior como anúncio da misericórdia
de Deus e de apelo à conversão, ligado
com a realidade da comunidade e a situação
dos povos indígenas É bom fazê-lo
diante da cruz e usar gestos, com: ajoelhar-se, inclinar-se
ou o rito da aspersão, acompanhado de refrões
ou cantos apropriados.Nas celebrações
da Palavra, o ato penitencial, em alguns domingos,
poderá ser feito após a homilia, como
resposta à interpelação que a
Palavra de Deus faz. Ritualizar bem a entrada da Bíblia,
a proclamação das leituras, o canto
do salmo e da aclamação ao evangelho.Há
símbolos batismais importantes que os próprios
textos Bíblicos sugerem em alguns domingos,
como cruz, água,luz profissão de fé.....e
que serão retomados com toda intensidade na
Vigília Pascal.
O momento mais indicado pela
Oração da Campanha da Fraternidade é
nas preces dos fiéis, podendo ser intercalada
com um refrão apropriado.
Toda esta vivência
quaresmal só terá sentido como preparação
da páscoa, com as celebrações
do Tríduo Pascal e sobretudo da Vigília
pascal, a "mãe de todas as vigílias",
que por ser tão importante merece ser cuidadosamente
preparada para que a páscoa do ano 2002, seja
profundamente vivida pala comunidade, "como festa
verdadeira e acontecimento inesquecível"
!
"Celebremos a
Páscoa, não com o velho fermento, nem
com o fermento da malícia e da perversidade,
mas com os pães sem fermento, isto é,
na pureza e na verdade" ( 1 Cor 5,8).
Padre Gian Luigi
Morgano
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