Junho
– Mês do S. Coração de Jesus
O mês de junho é
todo ele dedicado ao Sagrado Coração
de Jesus, às práticas de devoção
ao Coração Divino do Filho de Deus,
feito homem. Assim, os dois meses médios do
ano maio e junho alimentam a piedade dos fiéis,
encaminhando-se ao Imaculado Coração
de Maria e ao Misericordioso Coração
de Jesus.
Jesus, verdadeiro homem
Ao fazer-se homem, o filho
de Deus assumiu uma natureza humana completa, isto
é com todos os seus elementos. Teve ele alma
humana, corpo humano, inteligência humana, vontade
humana, e, consequentemente, todos os atos e afeições
naturais à natureza humana. Jesus não
assumiu apenas o pecado, nem sequer a menor sombra
de pecado. No mais, teve os mesmos sentimentos que
têm todos os homens. Indignou-se com o mal,
teve compaixão dos necessitados, alegrou-se
com a virtude, etc.
O Coração, centro
e símbolo do amor de Jesus
De todos esses sentimentos,
é o coração o centro e símbolo.
Amamos com a vontade, mas o nosso amor é seguido
de emoções de nossa sensibilidade. O
coração não está alheio
às nossas amizades, ao nosso amor. Por isso,
dizemos que amamos com o coração.
Também Jesus Cristo
nos amou com seu Coração divino. Daí
a concentrarem os fiéis no Coração
de Jesus sua devoção ao Homem Deus,
há um passo.
Os marcos da devoção:
o Bom Pastor
Não obstante, como
todas as coisas na Igreja, assim a devoção
ao S. Coração de Jesus obedeceu a um
progresso contínuo, e orgânico, que teve
seus inícios na devoção ao Bom
Pastor, comum já, nos tempos em que o Cristianismo
se via na contingência de esconder-se nas Catacumbas.
Nas paredes destes antigos cemitérios, é
freqüente a figura do Bom Pastor com a ovelha
aos ombros.
A chaga do Sagrado Lado
Depois, Santo Agostinho chamou
a atenção dos cristãos para a
chaga aberta no Sagrado lado de Jesus, morto na cruz,
e explanou tudo quanto de amor e dedicação
indica o Coração aberto do Salvador,
como que a convidar os homens a se recolherem no seu
Sagrado Lado.
A Sagrada Humanidade
Em seguida, e de modo mais
intenso, S. Bernardo, no século XII, orientou
a piedade para a adoração e o culto
da Sagrada Humanidade do Divino Salvador.
Aproximavam-se os tempos
escolhidos pela providência para tornar mais
viva e generalizada a devoção ao Coração
divino de Jesus Cristo. O próprio Salvador
revelou-se a Santa Gertrudes e a Santa Matilde, que
pelos séculos XIII e XIV divulgaram a devoção
ao Sagrado Coração de Jesus.
As revelações a Sta.
Margarida Maria
Mas, foi especialmente no
século XVII, com as revelações
do mesmo Jesus Cristo a Santa Maria Margarida Alacoque,
a quem o Salvador mostrou seu próprio Coração,
chagado, coroado de espinhos e encimado de uma cruz,
que a devoção ao Coração
divino tomou impulso e invadiu o mundo. Primeiro com
aprovação de bispos, depois com o encorajamento
da própria Santa Sé.
A Sagrada Liturgia
Clemente XIII aprovou o ofício
em louvor do Sagrado Coração de Jesus;
Pio IX inseriu a festa do S. Coração
de Jesus no calendário da igreja universal;
Leão XIII mandou que, no albor do nosso século,
fosse todo o Gênero Humano Consagrado ao Sagrado
Coração de Jesus; Pio XI elevou a festa
do S. C. de Jesus ao rito de primeira classe com oitava
privilegiada; Pio XII, no centenário da introdução
da festa na igreja universal, publicou esplêndida
encíclica sobre essa devoção
que começa com as palavras “Haurietis
aquas”.
Síntese da vida católica
Trata-se, pois, de uma devoção
que tem todas as características de devoção
verdadeiramente católica. E de fato, o Coração
de Jesus é a síntese de toda a doutrina
e moral do Cristianismo. Ele nos fala do amor da SS.
Trindade, com que o Padre, o Filho e o Espírito
Santo nos amam, porquanto, no Coração
de Jesus palpita esse amor que nos faz filhos de Deus,
que nos perdoa os pecados, que nos convida ao amor
e à observância do mandamento.
Útil para a Sociedade
Por isso mesmo, a devoção
ao S. C. de Jesus tem um proveito social singular.
Dizia o sociólogo francês, Marquês
de La Tour du Pin, que a sociedade seria feliz se
todos os homens observassem os Mandamentos da Lei
de Deus. E tinha razão evitar-se-iam as invejas,
e haveria colaboração mútua de
todos, para a felicidade de cada um. Sobretudo, haveria,
em cada homem, amor, interesse pelo bem estar do semelhante.
E dessa harmonia surgiria a felicidade geral.
Pois, esse amor desinteressado
pelo próximo é o que nos ensina o Coração
de Jesus. Ninguém mais dedicado, ninguém
mais sacrificado pelos homens, ninguém mais
interessado no bem dos que peregrinam neste vale de
lágrimas. As angústias que afligem hoje
a humanidade, quando o terrorismo deixa intranqüilas
todas as famílias, e a crise na Fé e
na Moral ameaça fazer sossobrar, se fosse possível,
a própria Igreja, só podem ser eliminadas
pelo retorno de todos os homens aos sentimentos dos
quais o Coração de Jesus é o
modelo divino.
+(a) Dom Antonio
de Castro Mayer, Bispo de Campos
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