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São Marcos

Ano B : O caminho de Jesus


O Tempo Comum do ano "B", deve ser colocado à luz da descoberta do mistério de Deus em Jesus Cristo, tomando-se por guia o Evangelho de Marcos: " o Caminho de Jesus". O evangelho segundo Marcos (Mc) é o mais antigo dos evangelhos canônicos. Conforme a tradição eclesial, o autor é João Marcos, filho de certa Maria, em cuja casa se reunia a comunidade de Jerusalém. João Marcos de origem judaica, era primo de Barnabé e foi colaborador de Paulo e Pedro ( At 12,12; 13,5; 15,36-39; 1 Pd 5,13). A tradição nos informa que escreveu seu evangelho em Roma, por volta do martírio de Pedro (+ ou - 65 d.C). Esta data de composição é confirmada pelas alusões à guerra Judaica e à destruição de Jerusalém (66-73 d.C), que se podem reconhecer sobretudo no cap. 13 de Marcos.Nesses anos, as testemunhas e os discípulos diretos de Jesus, pregadores do evangelho oral, estavam desaparecendo. Marcos consignou por escrito a pregação deles, criando e gênero literário do " Evangelho Escrito". Respondeu assim à dúvidas que rodeavam a comunidade e forneceu ao mesmo tempo um "manual" para o novo impulso missionário e a expansão da comunidade. As explicações de usos judaicos (cap.7) mostram que entre os seus leitores havia pessoas que não eram de origem judaica. A melhor maneira de sustentar a fé da comunidade é esclarecê-la. Para tanto é preciso voltar sempre àquilo que Jesus disse e fez. Marcos reuniu diversas tradições que a comunidade conservava a respeito de Jesus : milagres, exorcismos, parábolas e outras palavras de Jesus, como também o imponente relato da Paixão. Organizou tudo isso em forma de uma narrativa bem simples: Jesus depois de batizado por João, proclama a chegada do Reino de Deus, primeiro na região da Galiléia e, depois, ( a partir de 10,1), subindo para Jerusalém, onde entra em conflito com as autoridades e morre na cruz. O Jesus de Marcos não é um messias que subjuga e domina, mas o Servo Sofredor da profecia de Isaias (Is 53; cf. Mc 10,45). Isso é narrado no quadro de uma caminhada rumo a Jerusalém, balizada pelo anúncio da Paixão ( 8,31ss; 9,30ss; 10,32ss).Esse é o "caminho de Jesus"e daqueles que o querem seguir. No fim deste caminho está a proclamação do militar romano: " Este verdadeiramente é o Filho de Deus"(15,54). - e a ressurreição que é ao mesmo tempo o novo início para a comunidade, na Galiléia.

Esquema Litúrgico Pastoral :

* A Festa do Batismo de Jesus marca a transição do Ciclo de Natal para o Tempo Comum.

Jesus recebe a revelação de ser o Eleito e o Filho de Deus, com a força do Espírito Santo.Esta força, revela-se nos episódios seguintes apresentados domingo apos domingo. Isso para nós que já conhecemos o Mistério do Cristo, mas não para o público e nem para os discípulos de Jesus. É a "revelação velada"do Reino que Ele vem instaurar. Seus ensinamentos em parábolas, seus sinais,passíveis de interpretação errôneas ( messianismo material), trazem este caráter de revelação velada.Nesta primeira parte do testemunho de Marcos sobre a presença velada do Reino, situa-se a multiplicação dos pães, este episódio se estende por cinco domingos, nos quais é lido o capitulo 6 de João, comentário teológico deste episodio.

3 D.TC > Manifesta a chegada do Reino em Jesus Cristo ( sua pessoa real), daí a necessidade da conversão. Depois deste anúncio, Jesus inicia sua revelação manifestando seu

4 -10 D.TC> Poder sobre: Doença, a marginalização, o pecado, como também sobre as Léis ( jejum e sábado). No

11 D.T.C > encontramos a primeira manifestação da experiência que Jesus tem do Reino ( em parábolas). Retomando a revelação velada, Jesus manifesta-se:

12-16 D.T.C> Senhor: da natureza, da morte, profeta rejeitado e pastor messiânico.

17 D.T.C > Este profeta, que deve vir ao mundo sacia, em pleno deserto, cinco mil homens e encaminha

18-23D.T.C> para a explicação teológica de João sobre o "Pão da vida". ( 5 domingos)...

O testemunho de Marcos torna-se sobremaneira rico na segunda parte do seu evangelho, a partir da Profissão de fé de Pedro. A partir deste episódio, Cristo se revela aos discípulos, não como o Messias rei-davídico, que Pedro suspeitava ser, mas o Servo sofredor de Javé, ao mesmo tempo que o Filho do homem escatológico. Estes últimos domingos do Ano B, trazem os profundos ensinamentos de Jesus a respeito da doação, seguimento e serviço do Mestre e dos discípulos, para culminar na discussão com o judaísmo em Jerusalém, e o anúncio dos acontecimentos escatológicos.

24 D.T.C > Jesus fica bem evidenciado é o "Messias diferente". E por conseguinte, ser discípulo dele comporta exigências novas, a saber:

25 D.T.C > A humildade

26 D.T.C > Nada de rivalidades

27 D.T.C > Casar, segundo o projeto de Deus

28 D.T.C > e sobretudo, investir Tudo para o Reino. Estas virtudes capacitam o discípulo e o desafiam novamente, para fazer o que o Cristo, o Mestre fez.

29 D.T.C > Jesus veio para servir e dar sua vida.

30 D.T.C > Jesus faz ver quem procura ver

31 D.T.C > Jesus ensina o grande mandamento do Amor

32 D.T.C > a verdadeira, autentica Generosidade

33 D.T.C > e por fim ensina a precariedade do mundo e a firmeza da Palavra.

E ao encerrar este caminho de Cristo,a reflexão teológica de João, evidencia para nós que o Reino dele não é deste mundo, mas Jesus reina, ( e com ele todos os seus discípulos), pelo testemunho da Verdade ( Festa de Cristo Rei - encerramento do Ano Litúrgico)

 

Padre Gian Luigi Morgano