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Páscoa

O Mês de abril começa com a oitava da Páscoa. Continua as alegrias da Ressurreição que vão prolongar-se pelo ano todo. Pois, os 52 domingos do ano são outras tantas celebrações do Dia do Senhor. Marcam a soberania de Jesus Cristo sobre o mundo, ratificada no dia da sua gloriosa ressurreição.

Tempo Pascal

Não obstante, a Igreja consagra especialmente à comemoração da vitória de Cristo e das alegrias dos cristãos os 50 dias que medeiam entre o domingo de Páscoa e de Pentecostes. É como uma Páscoa continuado, em que a satisfação e o entusiasmo pela vitória de Jesus Cristo, sobre a morte e o pecado, são manifestados e alimentados pela cor branca dos paramentos, pelas flores mais abundantes no altar, pelos sons festivos do órgão, e pela freqüência da expressão de regozijo, “aleluia” repetida a todo momento na Santa Missa e no Santo Breviário.

Vida nova

Para nós cristãos as alegrias pascais estão densas de sentidos e de advertências. Significam nossa própria ressurreição se condicionada ao nosso teor da vida. Por isso varias expressões do Apóstolo sublinham a necessidade de vivermos de acordo com nossa fé, com os olhos voltados para o céu e não a busca dos prazeres aqui da terra. “Tomai o caminho de uma vida nova” recomenda ele aos colossenses. E como a explicar m que consiste esta vida nova, mais adianta, na mesma Epistola, admoestada :”Se ressuscitastes com Cristo, buscais coisas do alto, toai sabor das coisas do alto, não vos volteis para as coisas da terra”. É assim que eliminamos o fermento velho, para nos tornarmos nova massa, como escreve ele aos Corintios.

A seqüela de Jesus Cristo

Todas estas amorosas e insistentes exortações de S. Paulo seriam incompreensíveis, se não tivesse o fiel que vencer serias dificuldades para seguir, na imitação de Jesus Cristo, que nisto está a vida nova para a qual o Apóstolo alicia os cristãos.

Para assimilar-se a Jesus Cristo deve o fiel apossar-se do espírito de Nosso Senhor consubstanciado nas oito bem-aventuranças.

Ora, depois do pecado original o homem está profundamente voltado para o contrário de tudo isso. Como herança de sua vitória sobre nossos primeiros pais, deixou o demônio na nossa natureza acentuado gosto pelo egoísmo. O homem procura o que mais lhe agrada, o que lhe da prazer, o que lhe acaricia os sentidos. É com dificuldade que ele se volta para as verdades eternas. Embora tenha sempre a morte do horizonte, nela evita de pensar. E com isso as reflexões sobre o céu e o inferno são raras ou inexistentes . Ora, diz a escritura que são semelhantes meditações que afastam o homem do pecado, e o levam a seguir fielmente a lei de Deus.

Desapego das riquezas

Santo Inácio caracteriza o espírito do mundo, portanto do demônio, pelo apego às riquezas, às honras e aos prazeres. Sublinha, não obstante que a queda começa com a cobiça, com o desejo desordenado de possuir. É essa avareza que mirra o coração do homem e o leva `a perdição.

O tempo pascal não é muito próprio para despertar a memória da figura de Judas, o traidor. Como, porém, está ele na Sagrada Bíblia, com toda a hediondez de sua traição, para nosso ensinamento, recordemos que foi para o apego às riquezas, ao dinheiro que levou o Apóstolo a se tornar o mais abjeto dos traidores. Quando ele foi chamado ao colégio apostólico, era pessoa capaz e dotado das virtudes que justificavam semelhante eleição feita pelo próprio filho de Deus. Mais, Jesus Cristo confiou-lhe a guarda das esmolas que o povo dava para a manutenção do Divino Mestre e de seus apóstolos. Mostrou portanto ter nele especial confiança.

No entanto, o próprio Jesus Cristo declara, já um ano ates da sua Paixão, que Judas era um demônio. (Jo. 6,71). No principio deveria ter sido fiel. Depois a cobiça do dinheiro começou a invadi-lo. A guarda das esmolas deu-lhe ocasião de habituar a subtrair para seu uso o que não era seu. Terminou na avareza abjeta de vender o Mestre por trinta dinheiros.

Sirva-nos o exemplo. Comecemos nós também a amar a pobreza, a sermos muito generosos nas esmolas, a estar o dia todo ocupado com coisas serias, sem procurar comodidades de vida. Aprenderemos a suportar por Jesus Cristo, a pobreza e até a miséria. Com a pobreza virá o desapego das honras, e até as humildada que suportar alegremente as humilhações, por Jesus Cristo que foi atrozmente humilhado para descontar nossos pecados.

Eis o que nos é necessário para trilharmos o caminho da via nova em Jesus Cristo. A via que conduz à vida eterna. Que Nossa Senhora ilumine a inteligência para compreender esta verdade e nos alcance a energia de vontade para Pô-la em prática.

Lembre-se todos da grave obrigação de comungar pela Páscoa. O tempo útil para cumprir este preceito vai até dia 16 de julho, festa de N. S. do Carmo. Ninguém, no entanto, deixe para o fim o cumprimento desta obrigação. É falta de amor a Jesus Cristo que morreu por nós.

+(a) Dom Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos