Aleluia
A páscoa se caracteriza pelo “Aleluia!”
Expressão hebraica à maneira de interjeição,
fruto da explosão de uma alegria intensa ,
diante de um acontecimento feliz que ultrapassa toda
expectativa. Literalmente diz: Louvai o Senhor! E
nasce da piedade com que o povo eleito se dirigia
ao Altíssimo, para agradecer a providência
especial que o protegeu nos momentos difíceis
de sua existência.
Mais especialmente, o “Aleluia!”
se ligava à idéia de libertação
do cativeiro do Egito, quando, mediante um como que
palpável carinho de Deus, ficaram os hebreus
livres da opressão dos faraós. Síntese
de semelhante favor e sinal certo de liberdade foi
a miraculosa travessia do Mar Vermelho, a pé
enxuto, quando, de outro lado, “equum et ascensorem”
— como canta Moisés — Deus proiecit
in mare— cavalos e carros egípcios Deus
afogou do Mar Vermelho, era como o esboço da
grande euforia dos filhos de Deus que, em Jesus Cristo,
romperiam os grilhões, muito mais pesados,
do pecado. Pois esta liberdade é sem fim. Perpetua-se
no céu, segundo o testemunho de S. João
Evangelista que, em Patmos, contemplou na Jerusalém
celeste o imenso coro dos eleitos a cantar: “Aleluia!
A nosso Deus, a salvação, a glória,
e o poder, porque seus julgamentos são verdadeiros
e justos (Apoc. 19,1).”
É preciso, no
entanto, não esquecer que esse Aleluia é
fruto do Sacrossanto Sacrifício da Cruz, como
reza a liturgia da Sexta-feira Santa: “eis que
em virtude da Cruz difundiu-se a alegria no mundo
todo — ecce enim propter lignum venit gaudium
in universo mundo.” celeste condiciona-se à
nossa participação no Sacrifício
da Cruz. Eis porque é na Missa, que renova
o Sacrifício da Cruz até o fim dos séculos,
que a Igreja anuncia o triunfo de Jesus Cristo e exorte
seus filhos a se unirem ao Aleluia de ação
de graças: “Aleluia, aleluia, aleluia!
Diz Ela três vezes, elevando o povo a confessar
que Deus é bom e sua misericórdia sem
limites — confitemini Domino quoniam bonus quoniam
in sæcula misericórdia eius.”
+(a) Dom Antonio
de Castro Mayer, Bispo de Campos
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