Elementos
da liturgia
A liturgia é constituída
de três elementos básicos: coisas, palavras
e ações.
a) Coisas, são os
objetos sensíveis propriamente ditos, como
a matéria dos sacramentos, o incenso, a lamparina
de azeite, as velas de cera; mas aqui se pode incluir
também o tempo e o lugar prescrito para cada
ato litúrgico.
b) As palavras constituem
o texto das orações, os formulários,
a conversão secreta ou em alta voz, assim como
a forma dos sacramentos. O conjunto de toda a monologação
ou dialogação litúrgica é
o que se denomina Rito. Este está sujeito a
regras fixas e obrigatórias que, nos livros
oficiais, são indicadas em letras vermelhas
e que, por isso, se denominam rubricas.
c) As ações
são os movimentos ou gestos que podem ou não
acompanhar as palavras: no primeiro caso, ajudam a
inteligência do texto, como toda linguagem mímica
em geral; no segundo caso, têm um sentido místico
ou simbólico e constituem, por si sós,
uma linguagem muda: tais são, por exemplo,
as genuflexões, a prostração
ao pé do altar, a posição dos
braços abertos ou das mãos postas, as
cruzes traçadas com as mãos, o estar
de pé ou de joelhos, ósculos, etc.
O conjunto das ações
ou gestos é o que se denomina cerimônias.
Estas pertencem mais ao oficiante do que ao povo e,
por isso, só incidentemente faremos menção
delas no decurso destas exposições.
5. Línguas Litúrgicas
A Igreja só usa línguas
mortas na manifestação de seu culto
público. As línguas litúrgicas
principais são as três línguas
sagradas em que se escreveu a sentença de morte
de Nosso Senhor Jesus Cristo, na tabuleta da Cruz,
a saber: aramaico, a língua popular da Palestina
no tempo de Jesus; grego, a língua da gente
de culta de então; e latim, a língua
dos dominadores. Além destas, porém,
há outras. Ao todo são nove as línguas
admitidas pela Igreja no culto.(1)
É fácil atinar
com os motivos pelos quais a Igreja só usa
línguas mortas. Com efeito, a língua
morta é fixa e, por isso, simboliza a imutabilidade
do dogma; é igual em toda parte e, por isso,
simboliza a unidade da doutrina. Não estando
sujeita a mudanças, a língua morta se
presta admiravelmente para manter a uniformidade da
fé e da prática. Além disso,
como o sentido das palavras não varia nem com
o tempo nem com os lugares, os livros litúrgicos
não precisam ser modificados com o correr do
tempo, nem precisam variar de texto conforme a diversidade
dos lugares. Com uma língua viva não
se dá isso. Palavras que no século passado
eram limpas, hoje são indecentes. Palavras
há que numa província tem sentido bom
e em outras regiões soam mal. Pondere-se ainda
que a língua morta é só usada
na liturgia e não nos sermões ou nas
instruções. Depois, os fiéis
podem sempre seguir o sacerdote, fazendo uso de devocionários
em que vêm traduzidas as orações
litúrgicas.
Só quem já
viajou muito e ouviu missas rezadas ou cantadas uniformemente
nos países mais distanciados uns dos outros,
é que admira a sabedoria da Igreja relativamente
ao uso de uma língua morta.
Escreve Pio XII: "O
uso da língua latina, conforme está
em vigor em grande parte da Igreja, é um claro
e nobre indício da unidade e um eficaz antidoto
contra todas as corruptelas da doutrina". (Enc.
Mediator Dei et Hominum, n.56).
Em resumo, a liturgia compõe-se:
1) De coisas ou objetos sensíveis;
2) De textos ou fórmulas
que constituem o RITO;
3) De ações
ou gestos que formam as CERIMÔNIAS. (2)
(1) The Baltimore Catechism,
III, p. 109.
(2) Pe. Daniel Sola,
S. J., Curso Prático de Liturgia, Valladolid,
1919.
(Texto retirado
do livro" A Missa,dogma-liturgia", do Cônego
F.M. Bueno de Sequeira, com censor e imprimatur de
1949. Ed. Andes)
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