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A Cerimônia da Ordenação Sacerdotal

A ordenação sacerdotal é conferida aos candidatos durante a celebração da Santa Missa. Terminado o canto da epístola e o canto do gradual (que, em geral é formado por um texto da Sagrada Escritura).

A primeira parte da Ordenação é o chamado dos ordenandos. O presbítero assistente, representando o conselho do seminário, chama cada um dos ordenandos, os quais respondem: "Adsum", ou seja, "estou presente!"

Feito o chamado, o mesmo presbítero assistente apresenta os candidatos ao Bispo, quem lhe pergunta sobre a dignidade destes. O presbítero assistente dá, então, seu testemunho: "Enquanto o permite a humana fraqueza, sei e afirmo que eles são dignos para este ofício."

O Bispo faz então uma advertência ao povo na qual, mostrando o interesse que deve haver em todos para que só os candidatos idôneos sejam promovidos ao sacerdócio, diz a todos os fiéis que, se algum deles conhecer alguma coisa que impeça a ordenação, que se levante e fale.

Depois de um breve momento de silêncio, e na ausência de qualquer impedimento, o Bispo prossegue a cerimônia, fazendo uma advertência aos ordenandos, na qual, depois de falar-lhes do imenso poder que irão receber, os admoesta a governar sabiamente o rebanho que lhes será confiado, pregando o Evangelho ardentemente, mais pelo exemplo do que pela palavra.

Terminada essa advertência, segue-se a prostração: em sinal de morte para o mundo, os ordenandos se prostram, enquanto que os presentes cantam a Ladainha de Todos os Santos, invocando sobre os futuros padres a proteção de toda a corte celeste.

Depois da prostração vem a ordenação propriamente dita, com a aplicação da matéria e da forma do sacramento da Ordem. Os ordenandos se ajoelham um por um diante do Bispo, que lhes impõe ambas as mãos sobre a cabeça, repetindo assim o mesmo gesto usado pelos apóstolos para transmitir os poderes sagrados aos ministros da Igreja (cfr. At. 6,6; I Tim. 4,14; 5,22; II Tim. 1,6). Essa é a matéria do sacramento. Em seguida, para solenizar este rito, todos os sacerdotes presentes impõem sucessivamente suas mãos sobre os ordenandos, em sinal de comunhão e fraternidade, pois todos os padres participam do mesmo e único sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Feita a imposição das mãos e depois de uma breve oração, o Bispo começa o canto do prefácio consecratório, durante o qual pronuncia as palavras que constituem a forma do sacramento: "Dai, Pai Onipotente, nós Vos pedimos, a dignidade do Sacerdócio a estes Vossos servos; renovai nos seus corações o espírito de santidade para que exerçam dignamente o cargo que receberam de Vós, ó Deus, e que o exemplo da sua vida seja uma censura para os costumes depravados." Com essas palavras, os candidatos recebem em sua alma o caráter do sacramento da ordem, sendo assim consagrados sacerdotes para sempre.

Conferida assim a ordenação, seguem-se agora os ritos complementares. Em primeiro lugar a entrega dos paramentos: os neo-sacerdotes serão revestidos das vestes próprias de sua ordem: a estola cruzada sobre o peito e a casula, por enquanto dobrada em sua parte posterior. Em seguida vem a unção das mãos: as mãos dos neo-sacerdotes serão ungidas com o Óleo dos Catecúmenos, de modo a tornarem-se aptas para abençoar, consagrar e santificar. Esta unção se realiza durante o canto do hino Veni Creator, que é uma invocação ao Espírito Santo, a quem a liturgia chama de Spiritalis Unctio: Unção Espiritual.

Terminada a unção das mãos, o Bispo entregará a cada neo-sacerdote um cálice com vinho e uma patena com uma hóstia, explicitando assim o poder que eles receberam de celebrar a Santa Missa. Depois de tocarem este cálice, os neo-sacerdotes, que ainda têm suas mãos ungidas e atadas com uma fita, irão para o lugar onde se encontram suas famílias para que a mãe desate suas mãos ungidas.

Que alegria para a mãe poder oscular as mãos ungidas de seu filho! Como é bom ter um filho padre!

Com a entrega do cálice termina a primeira parte da Ordenação, e a missa retoma seu curso normal: canto do Evangelho, do Credo...

Ao começar o ofertório, o neo-sacerdotes oferecem ao Bispo uma vela acesa, símbolo de sua gratidão por lhes ter dado a ordenação. Depois de entregar as velas, os neo-sacerdotes, assistidos por seus padrinhos, irão concelebrar a Missa com o Bispo. Assim, a primeira missa de um padre novo é a da sua própria ordenação. Este é um dos pouquíssimos casos de concelebração na liturgia da Igreja.

Terminada a comunhão do povo, terá início a segunda parte da Ordenação. O Bispo entoa o responsório "Iam non dicam", lembrando as palavras que Nosso Senhor disse aos apóstolos: "Já não vos chamarei servos, mas amigos..." ( Jo. 15,15). Os neo-sacerdotes rezam então o Credo, professando assim, diante do Bispo, a fé que deverão pregar ao povo.

Depois de rezar o Credo, os neo-sacerdotes irão ajoelhar-se diante do Bispo, que, impondo-lhes mais uma vez as mãos, lhes dará o poder de perdoar os pecados, repetindo as palavras de Nosso Senhor: "Recebei o Espírito Santo: os pecados daqueles a quem perdoardes, serão perdoados, e os daqueles a quem retiverdes, serão retidos." Neste momento o Bispo desdobra a casula do ordenado, indicando assim que ele possui os plenos poderes sacerdotais. Em seguida, o neo-sacerdote faz sua promessa de obediência ao Bispo. A Igreja é uma sociedade hierárquica, e nessa hierarquia, a função dos padres é a de serem cooperadores dos Bispos no governo das almas. É por isso que a Santa Igreja quis, que no dia da ordenação dos seus sacerdotes, ficasse bem marcado seu compromisso de obedecer ao Bispo em tudo o que se refere ao ministério da salvação das almas. Feita a promessa de obediência, o Bispo dá a cada ordenado o ósculo da paz dizendo: "A paz do Senhor esteja sempre contigo."

Esta segunda parte da ordenação termina com uma admoestação, na qual o Bispo adverte aos ordenados para que bem se preparem para celebrar a Santa Missa, e com uma bênção especial sobre eles, "para que sejam abençoados na ordem sacerdotal e ofereçam hóstias propiciatórias pelos pecados e ofensas do povo."

A Santa Missa retoma seu curso com as orações e com a bênção final. Depois da bênção, o Bispo se dirige pela última vez aos novos sacerdotes para lhes impor uma penitência: que celebrem três missas, uma ao Divino Espírito Santo, outra a Nossa Senhora e a última pelos fiéis defuntos. Com isso, o Bispo quer mostrar aos padres novos três devoções capitais para sua vida, pois eles precisarão muito das luzes do Espírito Santo e da proteção de Nossa Senhora, e as pobres almas do purgatório esperam com impaciência os sufrágios das suas Santas Missas.

Esta é a beleza com que a Santa Igreja em sua liturgia, através dos séculos, quis enriquecer a administração do sacramento da Ordem, para nos mostrar a grandeza e a santidade do Sacerdócio de Nosso Senhor, que é comunicado aos seus ministros.