Consagração
de um Altar
O altar, antes de ser usado,
quer a Igreja que ele seja consagrado.
O altar representa o Calvário,
onde Nosso Senhor se imolou, representa a Cruz, representa
o sepulcro de Nosso Senhor. Representa o próprio
Nosso Senhor, envolvido no Sudário.
O costume de colocar relíquias
de mártires dentro do Altar, remonta aos tempos
das perseguições, quando nas catacumbas,
as Missas eram celebradas sobre os seus túmulos.
A cerimônia da consagração
do altar consta de três partes:
1- Lustração
do altar;
2- Deposição
das Relíquias;
3- A Consagração
do altar.
Vejamos, então as
três partes:
Primeira parte: A lustração
do Altar.
Depois de implorar o auxílio
de Deus, todos se ajoelham para o canto da Ladainha
de Todos os Santos; é a Igreja militante que
invoca a o auxílio da igreja triunfante nesta
cerimônia que vai resultar em proveito das três
partes da Igreja: Os santos que serão honrados
e lembrados na celebração das Santas
Missas e demais funções que serão
realizadas no novo Altar, os fiéis defuntos
(igreja padecente) que serão sufragados pelas
Santas Missas, e os fiéis em geral que receberão
inúmeros benefícios, inúmeras
graças do altar que vai ser consagrado.
O bispo, em determinado momento,
interrompe a Ladainha, levanta-se e canta: "(Senhor),
que vos digneis abençoar, santificar e consagrar
este altar que será dedicado à Vossa
honra e ao nome de... (e menciona o nome do Mistério
ou do Santo a quem o altar está sendo dedicado).
Terminada a Ladainha o Bispo
circula em torno do altar aspergindo-o com a "Água
Gregoriana".
A Água Gregoriana
é uma água benta usada especialmente
na cerimônia de sagração do altar
e para a consagração e reconciliação
de uma igreja.
Água Gregoriana é
composta, além da água , de sal, cinza,
vinho. Analisando a bênção da
Água Gregoriana vemos que o sal representa
o dom da sabedoria, que nos dá amor, o gosto
pelas coisas de Deus; a cinza a contrição
dos pecados e o vinho as bênçãos
de Deus e a santidade.
Depois de aspergir todo altar,
o Bispo, faz, com a água gregoriana, cinco
cruzes sobre o altar, dizendo em cada uma: "Seja
este altar santificado em nome do Pai, e do Filho
e do Espírito Santo. Amém".
As cinco cruzes são
feitas em memória das cinco chagas de Nosso
Senhor.
Segunda parte: a deposição
das relíquias.
O altar consagrado deve abrigar
em seu interior relíquias de ao menos dois
santos mártires. (No altar da Igreja do Terço
foram colocadas relíquias de Santa Cecília
e Santa Inês).
Estas relíquias ficaram
em exposição desde o dia anterior, como
manda a rubrica.
O bispo vai com os ministros
e o clero em procissão até o lugar onde
as relíquias estão em exposição.
Chegando, o Bispo reza a seguinte oração:
"Fazei Senhor, que possamos tocar dignamente
os membros dos vossos santos... de quem esperamos
ter incessantemente o patrocínio".
Em seguida as relíquias
são incensadas, e levadas em procissão
ao altar que está sendo consagrado.
Chegando ao altar, o bispo
incensa novamente as relíquias e as coloca
no sepulcro, isto é, numa pequena cavidade
aberta no centro da mesa do altar, enquanto o coro
canta: "Os corpos dos santos foram sepultados
em paz e os seus nomes vivem eternamente".
O pequeno sepulcro é
lacrado.
O bispo encerra esta segunda
parte da cerimônia com uma oração
em que pede a Deus que sejamos sempre auxiliados pelos
santos cujas relíquias piedosamente veneramos.
Terceira parte: A consagração
propriamente dita.
A unção do
altar
O Pontífice unge com
o Santo Crisma, o altar fazendo cinco cruzes, e dizendo
em cada uma: "Que este altar seja marcado e santificado
em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo,
para honra de Deus e memória de... (e menciona
o titular do altar)". Unge também em forma
de cruz a frente do altar e a junção
da mesa com a base nos quatro ângulos dizendo:
"Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo. Amém."
Logo depois o Bispo incensa
o Altar.
Terminada a incensação,
o Bispo reza uma oração na qual pede
a Deus que todo aquele que oferecer alguma coisa no
altar ou dele receber coisas sagradas, receba também
auxílios para a vida presente, a remissão
dos pecados e alcance a graça da eterna Redenção.
Em seguida o Bispo põe
cinco grãos de incenso juntamente com cinco
pequenas cruzes de cera sobre a mesa do altar, nos
mesmos lugares em que fez as cruzes com o Santo Crisma.
As pequenas cruzes de cera são acesas e, enquanto
todos permanecem de joelhos, o coro canta: "Vinde
Espírito Santo, enchei os corações
de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso
amor."
Por esta cerimônia,
que lembra a descida do Espírito Santo em forma
de línguas de fogo sobre os Apóstolos,
Deus toma posse do novo altar.
Em seguida, vem o canto do
belíssimo prefácio do qual transcrevemos
alguns trechos:
"Senhor, nós
vos bendizemos e suplicamos que este altar seja para
vós, como aquele que Abel ... morto pelo irmão,
com sangue novo envolveu e consagrou. Seja para Vós
este altar como aquele sobre o qual seu filho Abraão,
crendo em Vós de todo coração,
impôs seu filho Isaque, no qual se mostrou o
mistério salutar da Paxão do Senhor
... seja para Vós este altar como aquele que
Moiséis purificou com sete dias de purificação
e, por por vossa ordem celeste, chamou santo dos santos.
Haja, pois, neste altar o culto da inocência,
seja imolada a soberba, seja destruída a luxúria
e acabe todo desejo carnal ..."
Com o prefácio termina
a consagração do Altar. E enquanto o
se prepara o altar para a Missa o coro canta: Confirmai,
ó Senhor, o que em nós se operou...".
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