O
Terço na nossa vida
Não
vou fazer qualquer tipo de exposição
doutrinal sobre o Terço, mas apenas tentar
dar um testemunho vivencial sobre esta belíssima
oração.
Na sua forma de oração vocal repetitiva,
o terço pode parecer, numa primeira abordagem,
apenas uma oração de súplica.
E é belo suplicar à Mãe de
modo incansável, como o desfiar de rosas
que a seus pés vamos depositando. Mas o terço
é bem mais do que uma simples oração
vocal rotineira e mecânica. Rezado na sua
dimensão vocal e contemplativa, ele é
uma autêntica via, simples e segura de acesso
ao mistério de Cristo.
É a meditação dos mistérios
que alguém belamente designou “a alma
do Terço”, que lhe imprime uma dinâmica
profunda de oração interior. Todo
o mistério de Cristo é contemplado,
absorvido nesta oração. E com os mistérios
de Luz introduzidos ultimamente pelo Papa, o quadro
ficou mais completo ainda.
Há quem diga que o terço é
a Bíblia do povo. E é-o, certamente,
na medida em que permite uma aproximação
simples, mesmo familiar, da Mensagem Divina. Efetivamente,
só em chave bíblica se pode fruir
toda a profundidade e eficácia que esta oração
encerra. A grande riqueza do Terço consiste,
precisamente, em ligá-lo à meditação
do texto bíblico. O conhecimento de cada
mistério, a sua meditação,
é necessária para que a oração
do terço seja essa eficaz via de acesso ao
mistério de Cristo.
Aprofundado o mistério, o Terço poderia
situar-se na etapa “contemplativo” da
Lectio divina. E ao rezar assim, mergulhando na
mensagem que o do mistério encerra, cada
Ave Maria adquire uma tonalidade diferente. Como
gosto de me ajoelhar em Nazaré, junto à
Mãe, jovem simples e humilde, adorar o mistério
da Encarnação, da Kenose do Verbo
e a sua entrega humilde e confiante no Fiat, e assim
prostrada em espírito, ir repetindo, nesse
clima de profundidade e mistério: Ave Maria...
E logo a seguir correr pelas Montanhas da Judéia,
saltitar ao lado dela, sentir as vibrações
do seu coração mergulhado no Verbo
que nela toma corpo, e unida ao seu Magnificat,
continuar a repetir, com júbilo: Ave Maria!
E sucessivamente, em Belém, etc.
Da mesma forma acompanhando os mistério da
dor, etc, de tal modo que os sentimentos manifestados
em cada mistério vão invadindo a alma
que assim reza.
Deste modo, o terço é um entrar suavemente
no mistério de Cristo. É um deixar-se
envolver no anúncio do Reino que o Terço
comunica através dos seus mistérios.
Maria, a Serva humilde, acompanha o crente nesta
caminhada e introduzi-lo, maternalmente, no mistério
de seu divino Filho. As Ave Marias são, então,
como a chuva miudinha que vai penetrando na terra,
fazendo que absorva a semente da mensagem evangélica
compendiada nos mistérios do Rosário.
Isto mesmo diz João Paulo II na carta apostólica
Rosarium Virginis Mariae: “Contemplar o rosto
de Cristo é contemplá-lO com Maria”.
Maria conhece bem os seus filhos. Ela sabe quanto
esta oração é benéfica
para cada um. E a sua insistência em recomendar
esta oração é, certamente,
não para seu proveito mas de todos nós.
O Papa, conhecedor da eficácia santificadora
desta oração, recomenda-a continuamente
e consagra um ano ao Rosário. Oxalá
aprofundemos na riqueza que ele encerra e a experimentemos
na vida.
Ir. Mª Albertina
Monteiro de Azevedo,OSC
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