Vocação chamado à
realização pessoal no serviço
O tema vocação coloca-nos
diante do mistério da vida, leva-nos a pensar sobre
a nossa identidade e o compromisso que assumimos no dia-a-dia,
em vista de uma finalidade maior: a realização
pessoal.
O ponto de partida é recordarmos
que somos humanos. Isso constitui a nossa identidade.
Porque humanos, somos relação. Vivemos com
as pessoas e não podemos fugir dessa verdade em
nossa vida.Talvez faça-se necessário o aprendizado
de um novo humanismo, para que nossos relacionamentos
ganhem em qualidade. Novo, porque as relações
que a maioria das pessoas pratica estão desgastadas.
De certo modo, a condição
humana, em nossos dias, passa por uma crise de identidade.
Conseqüentemente, uma crise vocacional. Muitas pessoas
perderam de vista o encanto pelo aspecto humano da vida.
Desumanizadas, fazem pouco caso diante da dignidade humana.
Banalizam o dom mais importante que é a vida. É
tempo de resgatar e modelar os nossos projetos, acreditando
do mesmo modo como Deus Criador fez. Ele acreditou na
humanidade e, pelo seu Filho Jesus, assumiu o compromisso
e se encarnou.
A nossa vida tem ainda a dimensão divina. Somos
por um lado humanos, mas por outro divinizados. Deus nos
criou e nos adotou assim. Integrar as dimensões
humana e divina indica sempre um caminho a ser feito.
O ponto de equilíbrio dessas dimensões nos
revela a nossa identidade e o compromisso que precisamos
assumir.
Outro aspecto fundamental da nossa
vocação é a dimensão eclesial.
Nela podemos nos alimentar do verdadeiro sentido vocacional:
o relacionamento com outras pessoas, com as coisas do
mundo e com Deus. Podemos fazer a experiência comunitária
que Jesus ensinou. A vocação para ser Igreja,
portanto, nos torna repletos de esperança e nos
impulsiona ao compromisso, em busca do verdadeiro sentido
da vida.
A dimensão eclesial da vocação
nos ensina sobre pessoas — santos, santas e mártires
— que responderam com espírito de gratidão
a Deus. Assumiram a identidade e o compromisso para si
e para que outras pessoas pudessem experimentar a riqueza
da dignidade humana.
Nesse momento de profunda
reflexão sobre a corrupção, vale
lembrar essas pessoas que não se deixaram corromper,
foram éticas e capazes de amar a vida mais que
o poder.
Pé. Luís Rodrigues Batista, C.Ss.R
REVISTA DE APARECIDA
- Agosto de 2005