Há muitos
ganhos nos tempos modernos, ganhos de liberdade de se conversar
sobre tudo, de facilidade de orientação, esclarecimento,
abertura e menos tabus. Por outro lado, vemos como surgem
problemas, exageros, deturpações e desequilíbrios
que levam ao desrespeito total.
Os meios de comunicação abriram um leque
de possibilidades de informação, mas colocaram
também suas idéias secularizadas, seus valores
sem consideração pela dignidade da pessoa
humana e pelo Evangelho. Chamam a atenção
sobre o prazer, sobre uma liberdade que não se
compromete, sem nenhuma escala de valores, sem ética,
misturando o transitório com os valores perenes.
Assim joga a juventude em loucas aventuras pelas quais
ninguém se responsabiliza depois.
O desejo de realização pessoal ao lado de
alguém deveria levar a pessoa à procura
de quem mais se adaptasse a si em seu gênio, em
seu modo de pensar, de querer, em seus projetos, trabalhos,
cultura, religião etc. E tudo se deve ver e perceber
durante o namoro.
Namoro é tempo de mútuo conhecimento e adaptação
em que se investe quanto tempo for preciso. Daí
nasce à capacidade de comunhão de vida,
de ideais e projetos: desenho de uma vida feliz.
Queimada essa etapa, tudo se precipita e dá origem
a casamentos malfeitos e sem fundamento. Surgem as inevitáveis
divergências que acabam na desculpa mais sem-vergonha
que existe: incompatibilidade de gênio.
Essa pressa em fazer tudo antes de ver, analisar, sob
a desculpa de que "ninguém agüenta e
precisamos saber se nos amamos", apressa e queima
qualquer processo de amadurecimento no amor.
E quando já há uma certeza maior do que
se quer e de quem ama, vem então o compromisso
do noivado, tempo de planejar a vida nos detalhes, nas
práticas do dia-a-dia. Aí aprende-se a viver
em comunidade e educar-se para essa convivência.
Se dependesse de nós, gostaríamos de dizer
aos jovens para não brincarem com os sentimentos
dos outros e com seu próprio futuro, que aprendessem
a se controlar e não se deixassem dominar pelo
que os outros fazem e dizem. Não compensa uma pressa
em troca de um casamento com conseqüências
para a vida toda.
Amor é gesto de comunhão de vida e ação,
em que um se faz presente no outro. Amor é esquecer-se
de si e viver para fazer o outro feliz. Amar é
olhar juntos na mesma direção.
Texto extraído do Livro: Religião também
se aprende - Padre Hélio Libardi (editora Santuário).
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