O que é a graça
e a necessidade dos sacramentos?
A graça em seu princípio é, pois, a vida de Deus em nós:
"Participatio quaedam naturae divinae", diz Santo Tomás.
Para comunicar-nos a sua vida, Deus podia agir imediatamente
sobre a nossa alma; ele o faz às vezes. A simples elevação
dos nossos corações, pela oração, podia produzir este efeito,
mas além desta ação imediata de Deus sobre a alma, além
do meio da oração, Deus instituiu meios particulares para
comunicar-nos as suas graças, meios obrigados, indispensáveis:
estes meios são os sacramentos.
Vejamos esta necessidade; está admiravelmente descrita por
S. Paulo (Rom. 6, 1-14): "Permaneceremos no pecado, para
que a graça abunde? De modo nenhum" (6, 1). "Ora, se já
morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos"
(8). "O pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais
debaixo da lei, mas debaixo da graça" (14).
Há, pois, duas vidas em nós: a vida do pecado e a da graça.
Ora, esta graça é o dom de Deus, proveniente dos méritos
de Jesus Cristo. É a seiva desta graça que deve circular
em nós: "Nós somos os ramos, Cristo é o tronco" (Jo 15,
4-5). Deve haver união completa, íntima entre os meios de
transmissão da graça e a alma que recebe esta graça, como
há união completa entre o tronco e os ramos.
Na oração e nas boas obras esta união completa não existe...
Deve haver outro meio e este meio são os sacramentos. Os
sacramentos tornam-se, neste sentido, os canais transmissores
da graça divina às almas. Canais estabelecidos por Jesus
Cristo, como veremos, e portanto necessários.