| Boate na sexta feira da paixão. |
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG |
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Não se trata mais de caso isolado.
Acontece aqui, no sul de Minas, no interior de São Paulo...
O respeito que os antigos tinham pela Sexta-Feira Santa, parece
que ficou na nossa retaguarda. Isso de não gritar nesse
dia, de não haver buzinadas de carro, fazer um rigoroso
jejum, abster-se de carnes (com exceção da de
peixe), acompanhar a procissão do Senhor Morto, parece
que não toca mais a alma do homem e da mulher modernos.
Tudo foi engolido pela secularização, e alcunhado
de folclore.
A maioria acompanha o feriadão, mas é um corpo
sem alma. A maior parte da sociedade vive no tédio mais
completo, não sabendo como se ocupar. A bacalhoada ainda
resiste, mas pouco lembra um dia de sacrifício.
Confesso que estou perplexo. Não faltaram cidades que,
em plena sexta-feira da paixão, abriram as boates, e
um ruidoso baile, sufocando qualquer sentimento religioso, se
estendeu até os albores do sábado santo (que os
desavisados insistem em chamar de “sábado de aleluia”).
Quem organizou tal programa? Quem o freqüentou? Numa primeira
avaliação, fica-nos a impressão de que
foi tudo gente nossa. Diante disso vem a pergunta: o que está
acontecendo?
Uma primeira resposta poderia insinuar que a população
está caminhando para uma silenciosa apostasia da fé.
Aos poucos, sem ruído, os valores religiosos iriam se
apagando, e entrando outras convicções, que pouco
teriam a ver com os compromissos cristãos. Pode até
ser uma tendência, mas ela ainda não se materializou.
Não é a explicação certa. O mais
provável, é que a ausência de oração
e de espírito de sacrifício na sexta feira maior,
abre um vácuo ocupacional. A natureza humana tem horror
ao vazio. Como pode alguém, no grande feriado religioso,
ficar sem freqüentar nenhum ofício religioso, sem
ler nada das Escrituras, desprezar o jejum, esquecer a morte
de Jesus, e ainda sentir-se bem? Na falta de uma ocupação
séria, e de oração, qualquer “distração”
é bem-vinda.
Não queremos perseguir essas extravagâncias na
paixão de Jesus, que não respeitam o luto pela
morte do Senhor. A solução é procurar viver
melhor o sentido da morte do Salvador. Tenho certeza de que
tal atitude vai encher o coração de santa inspiração.
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