| A reverência para com o Evangeliário: uma catequese mistagógica |
Por: Ms. VANDERSON DE SOUSA SILVA
MESTRE EM TEOLOGIA LITÚRGICA Rio de Janeiro
Contato: semvanderson@hotmail.com |
| |
| Leia os outros artigos |
| |
O Evangeliário é o livro litúrgico que contém os quatro Evangelhos, distribuídos para a sua leitura na liturgia. Portanto, não é uma Bíblia, pois só contém alguns textos dos Santos Evangelhos para o uso na Liturgia da Palavra. Mas veneremos o Evangeliário?
Para melhor responder busquemos apresentar o seu uso na liturgia. Primeiramente o diácono que deveria conduzir solenemente o Evangeliário na procissão de entrada. O diácon...o, pois é o ministro da Palavra e aquele que por excelência proclama o Santo Evangelho, ainda que tenha muitos padres e bispos na liturgia, a proclamação é função sagrada do diácono. Ao chegar ao altar o diácono coloca o Evangeliário sobre a Mesa Eucarística para mostrar a ligação que existe entre a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia.
Uma procissão solene deve conduzir o Evangeliário que está sobre a Mesa Eucarística até o ambão (Mesa da Palavra), ladeado por velas e com o incenso. Mas antes, o diácono pediu a benção ao que preside a liturgia para Proclamar dignamente os Santos Evangelhos. A resposta do presidente é: "O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios para que possas anunciar dignamente o seu Evangelho: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".
Mas caso não haja um diácono na celebração um sacerdote inclinando-se diante do altar reza em silêncio: "Ó Deus todo-poderoso, purificai-me o coração e os lábios para que eu anuncie dignamente o vosso santo Evangelho". O que demonstra o zelo e reverência que a Igreja tem com os Santos Evangelhos. Antes de proclamar o Evangelho se incensa o Evangeliário, a incensação é sinal de sacralidade e veneração. Ao terminar a leitura se beija o Evangeliário, outro sinal de reverência e reza em voz baixa: "Pelas palavras do santo Evangelho sejam perdoados os nossos pecados".
"Como a proclamação do Evangelho é sempre o ponto culminante da Liturgia da Palavra, a tradição litúrgica, tanto no Ocidente como no Oriente, desde sempre estabeleceu uma certa diferença entre os livros das leituras. Com efeito, o livro dos Evangelhos, elaborado com maior cuidado, era adornado e gozava de veneração superior à dos outros livros das leituras. É, pois, muito conveniente que, também no nosso tempo, pelo menos nas catedrais e nas paróquias e igrejas maiores e mais frequentadas, haja um Evangeliário, ornado com beleza, distinto de qualquer outro livro das leituras" (OLM 36).
Na procissão de entrada, na Missa, o Evangeliário pode ser transportado, solenemente, por um diácono ou outro ministro, que o deixa sobre o altar, fechado. O presidente da celebração, ao chegar ao altar, beija o altar e o Evangeliário, antes de se dirigir para o seu lugar presidencial; quando chegar a hora de proclamar o Evangelho, leva-se para o ambão e ali se abre.
São vários os momentos em que se torna particularmente expressiva a entrega do Evangeliário:
• numa das etapas do processo catecumenal, juntamente com a entrega do Símbolo e do Pai-Nosso,
• na ordenação dos diáconos e bispos: «com razão este livro é entregue ao diácono na sua ordenação e é imposto e sustentado sobre a cabeça do eleito na ordenação episcopal» (OLM 36);
• também se entrega ao novo pároco como um dos sinais do seu novo ministério;
• e pode-se colocar, além disso, so¬bre o féretro, nas exéquias;
• um momento muito solene é quando, nos Sínodos ou Concílios, se «entroniza» o Evangeliário, no começo de cada congregação geral, como se fazia no Vaticano II.
O Evangeliário é Cristo sendo proclamado por Ele mesmo!
Tamanho não deveria ser nossa reverência no manuseio do Evangeliário e o mesmo deveria ter na sacristia um lugar de destaque e reverência e não colocado em um armário como se fosse um livro qualquer.
Prof. Vanderson de Sousa Silva
|